10 Piores Filmes de 2015

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Não é que falar mal de filmes não tenha a sua piada, afinal de contas rir da desgraça dos outros é uma das coisas que nós humanos sabemos fazer melhor do que ninguém. Mas sempre que vejo um mau filme, por mais que me apeteça amaldiçoar os nomes de quem deu tanto dinheiro para fazer aquela bosta, lembro-me sempre que, de um modo geral, os profissionais envolvidos esforçam-se (pouco ou muito, mas esforçam-se) para que saia algo de jeito.

Infelizmente, muitas vezes o esforço não basta, e é-nos servida merda às colheres. Esta lista serve para celebrar não os maus filmes de 2015 (embora contenha, efetivamente, maus filmes), mas sim aqueles que mais me revoltaram, ou por deturparem a essência cinemática dos filmes originais, por serem cash grabs gritantes, ou por simplesmente não prestarem nem para uma tarde de domingo.

10. Mundo Jurássico – Colin Trevorrow

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Ao contrário de em Parque Jurássico, a interação divertida e/ou propensa a filosofias das personagens é inexistente nesta terceira sequela: Owen Grady e Claire Dearing são autênticas caricaturas, cujo único propósito é entreter a audiência com um flirt inocente e empurrar a narrativa na direção que precisa de tomar para o seu final climático. Não há coesão narrativa, as personagens pecam pelo seu desinteresse e o realizador não nos oferece sequer uma composição cinemática bem pensada; em vez disso ocupa-se do ecrã a mentalidade comercial e industrial que o filme tanto parece caluniar.

A sequência de ação que encerra Mundo Jurássico é tão caótica e divertida que podia desculpar as duas horas precedentes; mas tudo o que vem antes é de tal forma inconsequente e derivativo que falha no mais básico dos propósitos: criar um sentimento de admiração pelas criaturas pré-históricas a desfilar no ecrã.

9. Spectre – Sam Mendes

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Sam Mendes é um bom realizador. American Beauty (1999), Revolutionary Road (2008), Skyfall (2012); tudo bons filmes. Spectre, por outro lado, não é mais que uma publicidade de duas horas e meia (e, deus, que duas horas mais aborrecidas) às várias marcas de carros, relógios e bebidas alcoólicas que patrocinam o franchise, sem o mínimo de interesse dramático em empolgar a audiência. Os atores parecem todos aborrecidos com o que lhes é dado (até Christoph Waltz falha em entusiasmar com o seu vilão over-the-top), e as sequências de ação ficam sempre aquém daqueles primeiros 10 minutos, simples e brilhantes.

Preferia outra cópia barata de Skyfall a esta insatisfeita tentativa, pseudo-retro, em trazer o old-Bond de volta. Não precisamos de ti, old-Bond, volta para a cave.

8. American Ultra – Nima Nourizadeh

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Max Landis, o argumentista de American Ultra, fala do filme como se fosse alguma obra de arte intocável, queixando-se nas redes sociais da sua falta de sucesso, e acusando filmes superiores de lhe roubarem a notoriedade merecida.

Ora, American Ultra é como o seu escritor: cheio de si mesmo, e com a noção errada de que é especial, quando na verdade não passa de um pastiche inferior de melhores filmes. American Ultra tenta ser o novo Bourne para a geração Pineapple Express (2008), mas fica a fumar o charrito mais tempo do que o que devia.

7. Ascensão de Júpiter – Irmãos Wachowski

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Ascensão de Júpiter é um pastel insípido de diálogos de exposição e sequências de ação desleixadas com um cheirinho a creme de recheio (leia-se: substância) que não passa de uma frívola tentativa de crítica política para pseudo-intelectuais. Há cenas em cima de cenas somente dedicadas a aborrecer e a entorpecer o espectador acerca de minuciosidades secas, que esboçam uma tentativa de profundidade temática mas teimam em apenas raspar a sua superfície.

Os irmãos Wachowski estavam tão focados no seu projeto televisivo que se esqueceram de tornar o seu filme em algo mais do que uma pilha de CGI incoerente. É pena.

6. Focus – John Requa & Glenn Ficarra

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Bem vistas as coisas, Focus até nem é um mau filme. Os atores portam-se bem (Robbie em particular), tem alguns momentos inspirados (como a cena de apostas no estádio de baseball), e a realização da dupla de artistas John Requa e Glenn Ficarra é flashy o suficiente para impressionar sem incomodar.

Mas aquele final, pá, aquele final. Uma hora de filme deitada ao lixo porque se esqueceram de como terminar um romance, ou um drama, ou uma comédia de crime – afinal, que tipo de filme é Focus? De repente estamos perdidos numa história sem protagonistas nem vilões, com traições e traições duplas sem coerência e imperceptíveis para o público que esteve meio atento ao longo do filme. Quer dizer, estamos a falar de Requa e Ficarra, não de um Christopher Nolan, ninguém está atento às linhas de diálogo terríveis do filme.

5. Black Mass – Scott Cooper

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À primeira vista, Black Mass é aquela rara longa-metragem prestigiosa, digna de um Oscar para melhor filme, com um elenco de luxo e uma belíssima fotografia. E, na verdade, tem um elenco de luxo, e uma belíssima fotografia. Mas é só. O guião é uma lesma sem vida, a trilha sonora confusa com o tipo de filme em que está. E saí de sala a achar que os americanos são todos iguais.

Mais vale ver o The Departed (2006) outra vez.

4. O Efeito de Lazarus – David Gelb

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O Efeito Lazarus é outra regurgitação de terror low-budget que vai encontrar o seu público nos ávidos e indiscriminados espectadores de filmes semelhantes, mas que não impressiona ninguém com um paladar mais diversificado.

3. Insurgente – Robert Schwentke

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É Insurgente que coloco nesta posição, mas também podia ser a mais recente entrada no franchise Hunger Games, ou a sequela barata do Maze Runner, porque são todos o mesmo filme. Protagonistas femininas à parte, estas adaptações de distopias adolescentes vomitam a mesma demagogia vazia que os filmes da saga Crepúsculo cuspiam há um par de anos atrás. Moças e moços de caras larocas a explodir com outras caras larocas igualmente bonitas, mas igualmente isentas de personalidade ou de interesse.

Resmunguem pelas supostas “alegorias políticas” à vontade; bem que os filmes tentam parecer mais inteligentes do que aquilo que realmente são. Em vez de funcionarem como uma adaptação decente, e elevarem o material de origem ao estatuto de cinema blockbuster, quedam-se pelo banal fastidioso.

2. Os Últimos Cavaleiros – Kazuaki Kiriya

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Os Últimos Cavaleiros não é nada mais que uma paragem salarial para as grandes estrelas do filme. Os visuais são aborrecidos: todas as cenas preenchidas por um tom acinzentado e por uma névoa baça que retira a cor das personagens e dos cenários. O argumento não tem qualquer humor e as personagens detêm todas a mesma personalidade: aquela equivalente ao de uma parede branca.

Já vimos esta história ser contada um sem número de vezes antes, com atores mais capazes, visuais mais atraentes e personagens mais memoráveis. Nem o Morgan Freeman consegue salvar este clone insípido do seu próprio tédio.

1. Quarteto Fantástico – Josh Trank

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Sou da opinião que uma adaptação cinemática deve fazer tudo para criar um bom filme, mesmo que isso deturpe a essência do material de origem. O que me interessa é ser maravilhado, não se uma personagem é branca nos livros e de repente é preta na tela. Não me importa que a cara deste Dr. Doom mais pareça um calhau mal formado da Ilha da Páscoa do que outra coisa, mas o filme tem que merecer isso.

E no fim, Quarteto Fantástico não merece nada. Não merece os custos de produção, não merece o talento dos atores, e não merece o lamentável rebuliço que se perpetuou à sua volta. Há respingos de cinema aqui e ali, mas posso ter sido eu que vi mal. Não é terrível e vai levar por tabela dos fãs vindicados com o seu falhanço, mas também não se esforçou para o contrário.

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