O Efeito Lazarus e a noiva de Frankenstein

OIivia Wilde é a nova monstra do Frankenstein (ou, neste caso, de Frank, protagonizado pelo circunspecto Mark Duplass), em O Efeito Lazarus. Uma equipa de cientistas compõe um soro capaz de ressuscitar animais e humanos defuntos, mas será que voltam inteiros? Ou estarão possuídos pelo diabo em si?

No final, isso não importa. O guião de Luke Dawson e Jeremy Slater impregna a narrativa e os diálogos das personagens com pseudo-filosofia e uma desinteressante metafísica que passa mais por intelectualidade falsificada do que por genuíno interesse em aprofundar esses temas. Porque ao fim e ao cabo, a história que criam é previsivelmente convencional, com alguns jump scares desinspirados que até chegam a ser repetidos várias vezes.

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Por outro lado, aquilo que o filme perde em originalidade ganha em economia narrativa: com pouco mais de 80 minutos, O Efeito Lazarus é bem digerido por aqueles à espera de uma infusão rápida de adrenalina. Tem alguns efeitos visuais competentes e apesar da direção de fotografia não ser nada por aí além, o set design é suficientemente claustrofóbico para criar uma tensão convincente.

Os paralelismos a Frankenstein parecem limitar-se a meras curiosidades, já que as personagens estão mais interessadas nas repercussões morais que ressuscitar alguém pode trazer, em vez de explorar a condição humana e a dualidade intrínseca ao ser humano. É uma veia narrativa interessante, que por lástima se confina a breves conversas sem seguimento.

Mas o maior erro do filme passa por não começar mais cedo o seu conflito principal: Zoe (Olivia Wilde) só volta à vida por volta dos 40 minutos, deixando outros tantos para devorar cenário e matar todos os seus colegas de trabalho. A tensão à volta de “quem vai morrer a seguir?” não é suficiente pois o realizador não enfatiza esse ângulo: prefere introduzir sequências de sonho relativas a Zoe que deveriam aprofundar emocionalmente a personagem mas que apenas diminuem a narrativa principal.

O terror vem praticamente todo de uma ou duas cenas em que Zoe vira uma total vilã slasher, imbuindo a trama com uma ansiedade nervosa que dura pouco mais de um par de minutos. Algumas das imagens do corpo em metamorfose de Zoe chegam a impressionar pelo seu realismo: ao menos a equipa de maquilhagem teve brio no seu trabalho.

O Efeito Lazarus é outra regurgitação de terror low-budget que vai encontrar o seu público nos ávidos e indiscriminados espectadores de filmes semelhantes, mas que não impressiona ninguém com um paladar mais diversificado.

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