10 Melhores Séries de 2015

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2015 foi o ano em que o pequeno ecrã se expandiu. A era dourada acabou com o fim de Breaking Bad, e resquícios dessa época já ultrapassada como Mad Men Justified depressa terminaram no início do ano, a largar fumo. Em 2015 deixámos o anti-herói masculino caucasiano para trás, e demos as boas vindas à diversidade.

Desde a explosão cultural em Sense8, até à corrente feminista (e indiscutivelmente feminina) de séries como FargoUnREAL e You’re the Worst, a televisão em 2015 deu voz a uma série de autores previamente ignorados, tanto pelos canais como pelas audiências em si.

Nunca houve tantas séries excelentes como há agora, e por isso torna-se impossível de ver tudo indiscriminadamente. Por outro lado, também possibilita a existência de um sem número de programas de nicho 100% originais. Como tal, esta lista não representa a totalidade do que houve de melhor este ano (Game of Thrones fica de fora por pouco), mas sim aquilo que mais me impressionou em 2015.

10. Justified

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Timothy Oliphant – e, por extensão, a sua personagem Raylan Givens – é o ator masculino mais adorável e simultaneamente aterrorizador do pequeno ecrã. Consegue passar de um sorriso galante para um esgar ameaçador em meros segundos, e não piscamos os olhos sequer de tão convincente que é.

Se isso não basta como razão para ver Justified, que tal os diálogos literalmente non-stop, acima de quaisquer outros em termos de qualidade na TV? Ou, então, o loquaz outlaw Boyd Crowder, sempre no limiar cinzento da moralidade ambígua, em eterno confronto com Raylan?

Justified terminou este ano, após 5 temporadas violentas, energéticas, e inesperadas. Deixámos Harlan já com a saudade a bater, mas satisfeitos com os finais definitivos de todas aquelas personagens que, apesar dos seus defeitos, aprendemos a amar.

MELHORES EPISÓDIOS: “Alive Day”; “Fugitive Number One”; “The Promise”

9. Jessica Jones

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A parceria da Marvel com a Netflix deu finalmente frutos em 2015, com Daredevil a surpreender pela positiva em Abril. Caíram queixos com a violência exagerada da série, e com a cinematografia estupenda que a caracterizou ao longo dos seus 13 episódios.

Mal sabíamos nós que Jessica Jones seria uma das melhores séries da distribuidora online, e a série definitiva da Marvel até ao momento. Krysten Ritter é fantástica no papel, sendo ela uma atriz incrivelmente versátil, mas é David Tennant que lhe rouba o protagonismo como o repugnante vilão Kilgrave.

A temporada inteira explora a dinâmica de vítima/abusador com especial nuance, sem medo de expor os seus ideais feministas e subversivos que colocam o género de crime e noir de cabeça para baixo sem papas na língua. Não é preciso usar capa nem derrotar aliens para se ser um superherói; Jessica Jones prova isso.

MELHORES EPISÓDIOS: “AKA WWJD?”; “AKA 1,000 Cuts”

8. The Flash

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Nenhuma outra série capturou melhor o espírito da banda-desenhada que a primeira temporada de The Flash. Com os seus visuais coloridos, o uso exagerado de enquadramentos repletos de personagens e efeitos especiais, até à galeria progressivamente maior de vilões, The Flash trouxe para o pequeno ecrã aquilo que durante décadas converteu rapazes e raparigas à religião dos quadradinhos.

Já este ano, a adição de Terras paralelas, um segundo Flash, e um crossover massivo com Arrow, solidificaram ainda mais o estilo idiossincrático da série. Não encontram melhor humor e ação superheróica em nenhum outro lado; The Flash veio para ficar.

MELHORES EPISÓDIOS: “Out of Time”; “Fast Enough”; “Running to Stand Still”

7. Steven Universe

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Para além de ser a melhor série animada da atualidade, Steven Universe é a que mais se esforça por equilibrar a balança perpetuamente instável da dinâmica de géneros e da intolerância sexual. O facto de passar num canal para crianças e destinar-se sem reservas a esses rebentos pré-pubscentes é só a cereja no topo do bolo.

Garnet, Amethyst, Pearl e Steven são os protagonistas desta colorida série, repleta de gargalhadas, combates fantásticos e fusões agigantadas saídas de um qualquer Power Rangers. Aos poucos e poucos, o enredo foi escalando de uma narrativa simples e episódica para uma serialização selvagem que neste momento ameaça o planeta Terra de uma invasão alienígena imparável, tudo com uma temática extremamente adulta para um programa de crianças.

Steven Universe é a melhor surpresa do ano.

MELHORES EPISÓDIOS: “Jail Break”; “Sworn to the Sword”; “Keystone Motel”

6. The 100

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Oh, The 100. Mais adulto que os teus contrapartes pós-apocalípticos “sérios”, mais diverso e progressivo que outras tentativas aparvalhadas de suposto feminismo, mas ao mesmo tempo estupidamente adolescente, irritante, e descaradamente hormonal. Porque é que, mesmo assim, continuas a ser tão, mas tão, bom?

A melhor forma de descrever esta série é como uma espécie de Game of Thrones apocalíptico, embora mais de ficção científica comparativamente às tendências fantásticas do colosso medieval de George R. R. Martin. Inesperadamente complexo e entusiasmante, a terceira temporada de The 100 é uma excelente opção para quem procura um elenco variado, ou uma exploração profunda e devastadora dos efeitos da guerra no Homem.

MELHORES EPISÓDIOS: “Rubicon”; “Blood Must Have Blood”

5. Sense8 

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A sinopse oficial: “Dos criadores de MatrixBabylon 5 chega-nos esta série de enorme tensão, em que oito pessoas conseguem experienciar telepaticamente as vidas uns dos outros.” Esquece-se de referir o detalhe mais importante: a óctupla de protagonistas é a mais diversa de qualquer outra série de ficção científica do momento.

Sense8 reúne homens e mulheres de culturas distintas (Coreia do Sul! Índia!) e sexualidades opostas (transsexuais! gays!) para celebrar a cultura, a diversidade e a sexualidade de uma forma que mais nenhuma outra série na televisão (ou, neste caso, nos vossos computadores) faz.

Mais do que isso: Sense8 celebra a vida. É uma série brutalmente gráfica e violenta, que demora a arrancar devido ao rtimo deficiente dos seus episódios de uma hora, mas que assim que coloca o dito pedal to the metal, nada a consegue parar.

MELHORES EPISÓDIOS: “What’s Going On”; “Demons”; “What is Human”

4. Mr. Robot

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Do culto para o estrelato instântaneo, Mr. Robot foi a série de estreia que mais ocupou a mente coletiva da internet em 2015. Mais que a morte do dito cujo em Game of Thrones, ou que o jogo do rato e do gato terrível em The Walking DeadMr. Robot catapultou-se para as bocas dos fãs com a audácia de um novo Breaking Bad.

Desde a soundtrack fenomenal, ao argumento extremamente fascinante até às performances incomparáveis de Rami Malek e Christian Slater (talvez o ator que mais se divertiu no seu respetivo papel este ano), a temporada de estreia de Mr. Robot cativou do início ao fim, repleta de surpresas e explorações aprofundadas da hipócrita sociedade contemporânea.

No fim, Mr. Robot não entretém. Mr. Robot desafia.

MELHORES EPISÓDIOS: “eps1.5_br4ve-trave1er”; “eps1.7_wh1ter0se”

3. Fargo

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Noah Hawley, o criador de Fargo, a série, apropria-se muito do que tornou Fargo, o filme, especial. No entanto, neste segundo ano, Hawley conseguiu utilizar o modelo arquitetado pelos irmãos Coen no seu filme de 1996 para criar algo imensamente original.

Humor negro, violência aleatória, personagens quirky e um desenrolar caótico de acontecimentos coincidentes que não fazem muito sentido, até que fazem, enchem esta segunda temporada. A história firmemente tecida juntou assassinos off-beat e criminosos do acaso com OVNIs e o Vietname, sem esquecer tangentes feministas e políticas que coloriram o limiar de toda a narrativa.

Não há nada como Fargo na televisão, e não houve nenhuma outra série de crime tão cativante quanto esta em 2015.

MELHORES EPISÓDIOS: “Rhinoceros”; “Loplop”; “The Castle”

2. Hannibal

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Sem exageros: assistir a Hannibal é uma experiência sem paralelo, um autêntico deleite de arregalar os olhos seja por reverência ou por medo. Ao longo das suas três temporadas pode-se perder um pouco no seu particular fascínio pela narrativa visual, mas é esse componente artístico que torna a série especial, e o que a separa da maré interminável de outras séries excelentes que povoam o nosso imaginário audiovisual.

Esta terceira temporada, cancelada em cima da hora, conseguiu apesar disso criar um final cheio de emoção – um final que quebrou todos os corações ao mesmo tempo que confirmava uma das paixões mais pervertidas e brutais dos últimos anos.

MELHORES EPISÓDIOS: “Secondo”; “Digestivo”; “The Wrath of the Lamb”

1. The Leftovers

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O primeiro episódio da segunda temporada de The Leftovers é a maior mindfuck de 2015. Durante 15 minutos, voltamos aos tempos pré-históricos dos homens das cavernas, sem qualquer explicação do porquê. É uma sequência tão bela quanto impenetrável; e é aquilo que torna The Leftovers tão especial.

A série é a minha favorita de 2015 não só por ser das mais complexas e recompensadoras, mas porque é aquela que me golpeia o estômago em todos os episódios, e me deixa em lágrimas sempre que um termina. Para além disso, foi a que mais experimentou com o formato televisivo, seguindo personagens diferentes em todos os episódios, e oferecendo uma das horas mais originais de sempre em International Assassin.

Se não viram, façam o favor: não ficarão desapontados.

MELHORES EPISÓDIOS: “Axis Mundi”; “Off Ramp”; “International Assassin”

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