Missão Impossível e o mundo é do Tom Cruise

A única variável impossível nesta quinta missão é o calibre incomparável do Tom Cruise. Ano após ano o homem entrega-nos de bandeja as melhores cenas de ação, superando-se a si próprio em cada oportunidade possível. Para além de ator, Cruise produz a maior parte dos filmes em que entra, e é bastante hands-on nos seus projetos, escolhendo a dedo os realizadores e trabalhando de perto com os guionistas para saber ao certo o tipo de filme que a máquina trituradora de Hollywood vai cuspir.

O gajo é imparável. É competente, diversificado e, acima de tudo, empenhado. Não entendo como há pessoas que não conseguem gostar dele; é pela vida pessoal? Será por causa do casamento com a senhora Holmes, ou pelas ligações infelizes à Cientologia? Não conseguem separar o Cruise pessoa/ser humano, do Cruise ator/profissional? E mesmo aqueles que não gostam do ator, como conseguem não apreciar o compromisso cru que ele tem com cada filme em que entra?

Sim, ultimamente tem-se mantido pelos blockbusters de ação/sci-fi, mas esquecemos que este é o homem que nos deu um dos melhores discursos do cinema em Magnolia (1999), assim como um dos vilões mais memoráveis do milénio em Colateral (2004)? E que se dane quem o acusa do jogar pelo seguro com os filmes de ação: o gajo tem 53 anos, só o facto de arriscar a maior parte dos seus stunts dá-lhe mais que liberdade para fazer o que quer que seja, porque tem tomates para tal. E dos grandes.

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E sim, esta crítica vai passar muito pela glorificação deste filho da puta que se agarra na parte de fora de aviões durante quatro takes, desde a descolagem do pássaro mecânico até à sua aterragem. E para quê? Para o nosso danado divertimento. Claro, ao fim do dia recebe um cheque chorudo que nem depois de umas boas dúzias de anos conseguimos equiparar, mas os seus compadres da 7ª arte também o recebem sem se atirarem de arranha-céus como este bom homem.

Como não amar um ator que se entrega de corpo e alma ao que faz a audiência vibrar?

franchise Missão:Impossível não era o mesmo sem a imagem de marca que é Tom Cruise. Para além dele, o único ator que ainda persiste desde o primeiro filme é Ving Rhames, e tudo o que este faz é sentar-se em cadeiras a hackear computadores (sem deixar de ser absolutamente badass). O ADN de Cruise é indiscernível destes filmes, e a maior surpresa é a qualidade subir a cada nova entrada – sem mencionar a aberração marcial do John Woo.

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Se fosse a descrever sem rodeios Nação Secreta, o subtítulo desta quinta missão impossível, diria que era o batido extremamente calórico de todas as melhores características dos filmes que o precederam. Christopher McQuarrie, o realizador, captura o suspense de Brian De Palma numa sequência subaquática especialmente excruciante para o espetador, agarra o ritmo incansável de J. J. Abrams, e utiliza para grande efeito os enquadramentos épicos de Brad Bird, sem se esquecer de estabelecer a geografia da cena com mestria.

O cineasta abre os quadros para nos mostrar as personagens, e indica com o foco/desfoque elementos importantes, ao mesmo tempo que nos obriga a engolir em seco com medium-long takes indomáveis. McQuarrie cria expectativas e cumpre-as sem suar: o melhor de Nação Secreta é que logo desde a primeira cena sabemos o tipo de filme que estamos a assistir, e o que dele vamos retirar.

A supra referida cena do avião dá o pontapé à narrativa, mas logo a seguir McQuarrie & co. apresentam-nos uma das sequências de suspense mais meticulosamente construídas que já vi na tela grande. Passa-se na ópera de Viena, e dizer mais do que isso seria estragar-lhe as surpresas, os torções narrativos e a pura emoção de assistir a um filme de ação despretensioso e honesto como este.

Nação Secreta é, na verdade, Tom Cruise: trata a audiência com respeito, e esforça-se para que, no fim das coisas, ela saia feliz do cinema. Por vezes esforça-se demais e é um pouco macaco na forma como o faz, talvez dê uma mão demasiado amiga para que não nos escape nada do enredo mirabolante. Mas isso são detalhes sem importância, em que o espetador comum não repara e que só dão comichão aos que não gostam deste tipo de cinema, por esta ou aquela razão.

Mas não se enganem: isto é cinema. O género de ação é talvez o mais puro e cru desta forma de arte, e os filmes Missão:Impossível são o seu apogeu lógico. Surpreendem outra e outra vez com as sequências de cortar o ar, e animam o espírito com as personagens coloridas que povoam a orla da narrativa. Simon Pegg é uma pérola, e Rebecca Ferguson é capaz de ser a antagonista mais perspicaz do franchise, e outra forte figura feminina num ano que se está a encher delas.

Tom Cruise não chora o seu coração fora neste filme: mas acreditem que, este ano, não há melhor performance que a dele.

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