Prémios Sophia 2016 – Nomeados

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Lançados em 2012, os Prémios Sophia foram criados para premiar os profissionais do cinema em Portugal pelos seus próprios pares. É um modo de legitimação da “arte”, de certa forma; um reconhecimento nominal do trabalho que é feito por estas bandas.

Esta atitude positiva de dinamização da 7ª arte é debilitada pelo facto de, em Portugal, não existir uma verdadeira competição no que toca à arrecadação dos prémios. Simplesmente não se produz cinema suficiente para tornar a deliberação dos vencedores interessante. Ao contrário dos Oscars ou outras cerimónias equivalentes, os Sophia sofrem de uma predeterminação imposta pelo nosso contexto cultural que automaticamente os reduzem a um elitismo social incontornável.

É uma pena, porque as nomeações da mais recente edição (*) refletem aquilo que de melhor se faz por cá, estejamos nós a falar de longas-metragens de ficção e documentários, ou mesmo curtas-metragens profissionais. Os nomeados na categoria de Melhor Ator Principal, por exemplo, são um autêntico melting pot das diferentes veias de cinema cá em Portugal: o comercial de “Amor Impossível“, o art-house de “Montanha“, o entretenimento puro de Capitão Falcão e o experimental de “As 1001 Noites” reúnem-se nas interpretações dos atores nomeados. De sublinhar a tenra idade de David Mourato, assim como a excelente performance de Gonçalo Waddington, que entre Capitão FalcãoAs 1001 Noites, e o seu trabalho em teatro (Albertine, o Continente Celeste é uma jóia contemporânea) teve um ano sublime em 2015.

Estes filmes merecem ser premiados. Estes artistas merecem os galardões, merecem o reconhecimento. Mas não o merecem só pelos seus pares, não os merecem apenas personificados numa oca estatueta concedida pelo 1% de Portugal. O cinema não existe num vácuo (nem sequer o português); ele começa no artista e acaba na audiência. Mas se essa audiência nem sequer sabe da sua existência, então para quê a fanfarra? Para quê a celebração isenta de um mérito partilhado, discutido?

Antes da cultura ser “arte”, ela tem que chegar ao povo. E sem isso não há vencedores, apenas encalhados.

(*) Podem encontrar a lista completa dos nomeados aqui

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