Crítica: Coração de Aço sem paixão

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Jake Gyllenhaal é uma besta.

O ator americano já passou por estrela de culto (Donnie Darko (2001), saudades), golden boy dos Oscars com Brockeback Mountain (2005), e patinho feio após umas escolhas duvidosas de papéis – Príncipe da Pérsia (2010), estou a olhar para ti -, mas agora está a jogar a um nível artístico que muitos poucos conseguem rivalizar. Christian Bale tem o talento e a vontade, mas não tem o corpanzil de ator que Gyllenhaal carrega sem esforço algum.

De facto, Coração de Aço vive da sua performance. O filme conta a história do boxer Billy Hope (Gyllenhaal), que após uma perda trágica vê-se sem filha e sem carreira. Alcoólico e desesperado, pede ao ex-treinador profissional Tick Wills (Forest Whitaker) para o ajudar a redimir-se aos olhos da filha e dos seus fãs.

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Whitaker e Rachel McAdams, que protagoniza a mulher de Billy, são extremamente apelativos no seu respetivo papel, apesar de não terem muito para fazer. Por outro lado, 50 cent como ator já faz um bocadinho de comichão: não havia ninguém mais qualificado para o papel? No meio de profissionais com o calibre de Gyllenhaal e Whitaker, a representação banal e algo exagerada do rapper americano destaca-se demasiado pela negativa, destruindo por completo a credibilidade de algumas cenas cruciais do filme.

E o problema é que Coração de Aço precisa de vender a sua história à audiência todo o santo segundo: não há nada no filme que já não tenhamos visto em outro lado, pelo que a atenção recai nas personagens, nas suas emoções, e na força dos atores em as veicularem através do ecrã. É por isso que Gyllenhaal brilha: encontra o coração retumbante no cliché. A partir do momento em que gestos e palavras começam a cair em falso (como tudo o que sai da boca de 50 cent), o espetador já partiu para outra. Mudou de canal, foi ver as sms ao telemóvel, cinco minutos de filme passaram e ninguém quer saber. Erro enorme de casting, que sofre também pela preguiça do argumento.

Não é como se o guião de Coração de Aço fosse propriamente mau; não é, é apenas genérico. Kurt Sutter, o argumentista, tem uma visão do mundo hyper-masculina, a transbordar de testosterona, que até se entrega bem a este enredo particular, de um boxer à procura de redenção. No entanto, peca por se limitar à estrutura básica do drama de desporto, esbarrando propositadamente contra todos os clichés do género, sem vontade de os subverter como, por exemplo, Creed fez. A verdade é que se estão à procura de uma narrativa mais “original”, de um filme de boxe mais moderno, Creed é a melhor escolha. Fiquem em casa, aluguem-no, liguem a smart tv e apreciem todo o esplendor emocional e técnico da sequela/reboot do clássico Rocky.

Mas Coração de Aço também vale a pena. É “só” razoável, “só” meramente competente para compensar o preço do bilhete. E tem o Jake Gyllenhaal aos socos. Só por isso já desembolso.

2 stars

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