Shane Black e Os Caça-Monstros (1987)

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A premissa de Os Caça-Monstros é fantástica.

Quem nunca sonhou em apanhar o lendário Homem-Lobo dos clássicos filmes da Universal a correr e uivar pelas ruas de uma cidade moderna? Ou encontrar o Drácula, o verdadeiro Drácula, num centro urbano? Estamos habituados a ver estas figuras mitológicas em filmes de terror, uns mais clássicos, outros menos, relegados para uma época antiga e gótica que hoje em dia já se parodia a si mesma. Mas encontrar estes monstros no nosso quotidiano moderno? Genial.

Claro que 1987, a data de estreia do filme, não é propriamente contemporânea, mas as suas personagens são. Sean, Patrick, Horace e Rudy constituem o bando de maltrapilhos que se reúne ao fim do dia na sua casa na árvore para falar de monstros. “De quantas maneiras diferentes podemos matar um lobisomem?”, perguntam como ritual de iniciação. O charme deste retiro juvenil pode passar por masturbação nostálgica, visto este tipo de concentrações ao “ar livre” não serem tão comuns nos dias que correm, mas a verdade é que o espírito de comunhão brejeira (mas terna) deste bando de adolescentes ainda hoje ressoa com jovens e graúdos.

Efetivamente, Shane Black escreveu o guião para Os Caça-Monstros (co-redigido pelo realizador do filme, Fred Dekker) com uns meros 20 e poucos anos, numa habitação partilhada com outros cineastas onde reencenavam sequências de outros filmes até às tantas da manhã. Encontramos esta energia jovial no argumento, não só na amizade partilhada pelos protagonistas, mas também nas cenas de ação, deliciosas de um ponto de vista cómico, mas também extremamente dinâmicas quando temos em conta o orçamento reduzido do filme.

Apesar do foco no grupo de adolescentes, todas as criaturas têm tempo para brilhar. A running gag com o Homem-Lobo na esquadra de polícia é de rir e chorar por mais, o confronto com a Múmia uma peça de comédia hilariante, a relação entre o Monstro de Frankenstein e a pequena Phoebe consegue elevar-se acima do filme original de 1931 pela sua ternura inocente. Mas é Duncan Regehr (o Drácula) quem rouba o espetáculo: nota-se que o ator se está a divertir imenso com o papel, e o diálogo over-the-top de Shane Black combina na perfeição com a personalidade auto-paródica mas aterrorizante do Príncipe das Trevas.

Com pouco mais de 80 minutos, Os Caça-Monstros dá tudo por entreter a cada segundo que corre, com one-liners fantásticos e cenas de ação exuberantes. As performances dos atores mais novos podem não ser das melhores, mas compensam com o seu extremo entusiasmo que carrega o filme aos ombros do início ao fim. Os Caça-Monstros é um filme corriqueiro e infantil, mas também é genuíno e emocionante.

Dêem-lhe uma chance.

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