PREVISÕES OSCARS 2016 | Melhor Filme

763454656778Vamos lá tirar cavalinhos da chuva: Brooklyn é uma agradável surpresa de prazeres simples que há meio século atrás talvez estivesse de cabeça posta para receber o Oscar. Já em 2016, não passa de um pequeno filme que conquistou muitos corações. Room é capaz de arrecadar galardões para argumento e para interpretação, mas dificilmente leva consigo a estatueta principal da cerimónia. Bridge of Spies, por mais tecnicamente perfeito e narrativamente coeso que seja, encontra-se nos nomeados apenas para arrastar o Spielberg para o Dolby Theatre.

The MartianThe Big Short são dois filmes com bastantes fãs em diferentes espetros da Academia (e do público em geral), e ambos estão acima da média em termos de qualidade do que costumamos encontrar nos Oscars. Apesar disso, não possuem a pedalada necessária para encabeçar a principal categoria da noite. The Martian, mesmo sendo um filme fantástico, é demasiado populista, demasiado blockbuster para uma cerimónia “séria” como esta. Por outro lado, The Big Short simplesmente não é “grande” (ou barulhento) o suficiente para se tornar um verdadeiro contendor ao título de Melhor Filme.

Restam-nos, assim, três filmes. Só um deles merecia sem reservas a estatueta dourada mas, infelizmente, é também aquele que quase de certeza vai passar a noite de mãos nos metafóricos bolsos, pelo menos no que toca às principais categorias. Falo, claro, de Mad Max; mas já lá vamos. Spotlight é o que tem mais hipóteses de vencer: é comedido, emocionalmente profundo, e joga com um ensemble de atores perfeitos que a Academia muitas vezes gosta de recompensar.

No entanto, é a temática do filme que o catapulta para a frente do outro preferido, The Revenant. O caso verídico de abusos sexuais por padres católicos, descoberto ao público em 2002, é ainda hoje muito debatido e parte integral da nossa consciência social e religiosa; todos sabemos o quanto esse aspecto contribui para a glorificação de um filme numa cerimónia com a importância cultura como a dos Oscars. Nada contra isso: celebrar um – ainda que excelente- filme só por causa da sua temática socialmente relevante pode não ser o mais “artisticamente” correto (como se isso não passasse de uma amarga ilusão no que toca à atribuição de prémios a arte), mas é, apesar disso, bastante importante para a sensibilização de tópicos ainda tabu, ou discutidos sem o devido conhecimento do assunto em questão.

Portanto, Spotlight deve levar o Oscar de Melhor Filme para casa. Porque não The Revenant?, perguntarão alguns de vós. A brutal realização de Iñarritu já se tornou de certa forma mitológica, mas a verdade é que a história em torno do filme acaba por ser mais interessante (tanto como peça de cinema como caso de estudo) do que o próprio filme em si.

The Revenant é belíssimo: Lubezki voltou a fazer magia (ainda que esta roce na batota desnecessária), tem uma interpretação desenfreada de DiCaprio e outra ainda mais possante de Tom Hardy mas, no fim, é demasiado longo, demasiado arrastado, demasiado vazio. Por toda a corrente temática da natureza contra o homem, da vingança e do seu peso emocional, The Revenant acaba por simplesmente arranhar a superfície destes tópicos. Delonga-se visual e sonoramente no mundo selvagem de Hugh Glass, sem oferecer nada de substancial ao espetador para além de algumas cenas viscerais, que acabam por ser superiores ao filme em si.

Por outro lado, Mad Max não é vazio. Quem o acusa de tal, admirando apenas as explosões e a violência veicular, simplesmente não prestou a devida atenção ao filme, formatado que está à maneira hollywoodesca de contar histórias e de agarrar na mão do espetador durante horas a fio. Mad Max explora a atitude machista da cultura ocidental, a nossa propensão para a guerra e para a sexualização feminina, sem se esquecer de apontar temerariamente os devidos dedos gordos de culpa às pessoas em questão. Mad Max faz tudo isto sob o disfarce de um blockbuster de ação colossal, com uma construção mitológica irreplicável e meramente visual e sonora só como o cinema consegue ser. Mais do que qualquer filme entre os nomeados, Mad Max constitui um género de história que só podia ser contada através de um ecrã (basta pensar que os restantes nomeados, com a excepção de Bridge of Spies, são todos adaptações de livros originais).

Acima de tudo, Mad Max não trata a audiência como burra (embora esta prefira sê-lo), e tem um danado bom gosto por a entreter. Que mais pedir de um filme?

Melhor Filme

Os nomeados:
“Mad Max: Fury Road”
“Room”
“Brooklyn”
“Spotlight”
“The Revenant”
“The Big Short”
“The Martian”
“Bridge of Spies”

Previsões:
Quem ganha: “Spotlight”
Quem pode ganhar: “The Revenant”
Quem devia ganhar: “Mad Max: Fury Road”

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