Irmãos Coen e O Quinteto da Morte (2004)

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Se há algo que caracteriza o cinema dos Irmãos Coen, é a sua capacidade de alternar entre um tom sério e algo mais cómico, sem esticar demasiado a corda dos dois estilos em particular. Isto é, a escolha entre cenas mais pesadas face a outras mais leves tem sempre uma justificação narrativa, suportada principalmente pelas incríveis personagens criadas pela dupla de realizadores.

Em O Quinteto da Morte, isso não acontece. No filme, um excêntrico embora encantador professor sulista (Tom Hanks), e a sua equipa de maltrapilhos (J.K. Simmons e Tzi Ma brilham no ensemble), fazem-se passar por uma banda renascentista ao mesmo tempo que preparam um elaborado assalto a um casino local.

Este set-up de comédia clássica funcionou no filme original The Ladykillers, em 1955, por ser realizado dentro dos parâmetros humorísticos da época que tanto influenciaram os Coen (como podemos ver em O Grande Salto, e mais recentemente em Salve, César!). Neste remake, quase 50 anos passados, encontramos o humor a um nível superficial, mas nunca com o charme característico da parelha de irmãos, nem muito menos com a violência esmagadora de comédia que tantas vezes nos destrói o estômago de tanto rir.

Grande parte da culpa está na representação diabólica de Tom Hanks. O ator, com as demasiado evidentes entradas capilares, o cabelo penteado, e com um bigode caído faz lembrar uma caricatura primordial do diabo, de tal forma que quando primeiro surge em cena, uma corrente de vento aparece do nada e as luzes tremem.

A realização on-the-nose dos Coen não ajuda neste facto, pois Hanks exagera a queda dos cineastas para o ridículo sem a contrabalançar com a emoção genuína que atores como Jeff Bridges e George Clooney fizeram no passado. É uma representação falsa, absurda e, acima de tudo, enfadonha.

Tal também se deve ao facto do guião nem sequer tentar desenvolver as suas personagens, alargando-se desajeitadamente no extenso elenco ao mesmo tempo que se perde na narrativa pateta e desinteressante. Se Crueldade Intolerável pecava por ser pouco memorável, O Quinteto da Morte falha por não oferecer uma única cena que perdure na memória da audiência. Claro, as piadas de merda (literalmente) oriundas da personagem de J.K. Simmons sacam uma ou duas gargalhadas, mas não passam disso.

O Quinteto da Morte é os Coen ao seu nível mais baixo, e existe apenas para lembrar aos comuns mortais que até os melhores por vezes falham redondamente.

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