PREVISÕES OSCARS 2016 | Melhor Realizador

1231231235423Megalomania, subtileza, intelecto e paixão são todos aspetos celebrados nas nomeações para a categoria de Melhor Realizador nesta 88ª edição dos Oscars. Se por um lado temos o cineasta que em 2015 nos deu o epítome do blockbuster contemporâneo em Mad Max: Fury Road, por outro temos o poeticamente obtuso Iñarritu, o destemido realizador de The Revenant.

Mas esta categoria não existe como glorificação das ditas fitas de cinema, mas sim para consagrar as invejáveis mentes por detrás delas. Lenny Abrahamson dificilmente levará a estatueta dourada para casa; não pelo seu trabalho em Room não justificar um Oscar, mas porque a restante competição é muito mais feroz e polarizante do que algo simplesmente competente. McCarthy teve no pódio por uns momentos, mas o burburinho em prol da sua prestação com Spotlight parece ter morrido nas últimas semanas, pelo que não me surpreenderia passar a noite de mãos nos bolsos.

George Miller e Adam McKay, por outro lado, surpreendem pela energia e atenção ao detalhe que os seus respetivos filmes demonstram, e tudo indica que um deles arrecade o tão desejado galardão. Miller principalmente: com 70 anos, acalentou com interminável paixão o melhor filme de ação da década, sem esquecer de o imbuir com um pensamento progressivo e contemporâneo, que toca subtilmente nos principais problemas da cultura ocidental: o domínio ditaturial do homem branco sob todas as outras raças e sexos. Mad Max é um tour-de-force de realização que saltou do mainstream para o artístico sem tropeçar na dança, algo que não escapou nem ao mais cínico crítico de Hollywood.

No entanto, McKay tem do seu lado a atualidade do seu filme: The Big Short e o seu olhar intelectual sobre a queda de Wall Street vai direto à jugular sem medos nem chatices de maior, preferindo o didatismo lúdico ao aborrecimento académico. Cinético e inteligente, é cinema e arte e comentário social numa mescla única que tem primor por entreter. McKay merece reconhecimento por isso, e The Big Short é um filme mais acessível para a maioria da academia do que o violento e intenso Mad Max.

Por fim, Iñarritu está no topo da lista de muitas previsões, e provavelmente sairá da celebração com o seu segundo Oscar consecutivo para Melhor Realizador. Mas será que o merece? A visão obsessiva do cineasta mexicano tornou-se mais e mais conturbada ao longo da produção de The Revenant, culminando num filme de extremos, que vive dos poucos momentos de brutalidade visceral pulverizados ao longo dos delongados 156 minutos de filme, e que se perde em sequências sem vida e (literalmente) arrastadas. A visão de Iñarritu destruiu profissionais e implodiu a própria produção do seu filme, salva apenas pela injeção de aproximadamente 100 milhões de dólares, que não foram mais que o redundante esticar da corda de um homem sem freios. Iñarritu foi destemido, mas perdeu-se no seu próprio ego.

Será que a Academia vai ter isso em conta?

Melhor Realizador

Os nomeados:
Adam McKay, “The Big Short”
George Miller, “Mad Max”
Alejandro Gonzales Iñarritu, “The Revenant”
Lenny Abrahamson, “Room”
Thomas McCarthy, “Spotlight”

Previsões:
Quem ganha: Adam McKay, “The Big Short”
Quem pode ganhar: Alejandro Gonzales Iñarritu, “The Revenant”
Quem devia ganhar: George Miller, “Mad Max”

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