Batman v Superman vai com todas

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Batman v Superman: Dawn of Justice é uma Maria vai com todas.

É um filme que quer ser sobre o épico confronto entre duas das figuras mitológicas mais icónicas do novo milénio, ao mesmo tempo que se propõe a introduzir uma série de novos superheróis ao grande ecrã, como Wonder Woman, o Aquaman e o Flash. Sem esquecer que também é uma fita do Zack Snyder que inclui um espólio abarrotado de vilões como Lex Luthor e Doomsday.

Por um lado, nota-se um certo humor fraternal entre Batman e Superman, dois homens que certamente acabarão por fazer as pazes a meio do filme para defrontar o Jesse Eisenberg e a sua cabeleira ridícula. O novo trailer transporta este tom mais care-free com admirável eficácia, afastando-se das normas ultra-sérias definidas por Snyder em Homem de Aço (2013), e pela própria Warner Bros. no que toca ao universo cinemático da DC. Este humor, ao contrário do que possa parecer, é um sinal de maturidade para Snyder e companhia, pois dá a entender que perceberam a necessidade de contrabalançar o preto com o branco em igual medida. Não há sombras sem luz.

Por outro, mais de 50% do novo trailer são explosões. O Batman chega a um prédio a arder. O Batmobile explode com uma chapada do Superman. Uma bomba atómica parece detonar numa cidade qualquer, provavelmente Gotham só para dar motivação ao homem morcego. E então temos uma barragem de shots indistintas dos nossos heróis a combater rodeados por chamas, como este plano fantástico da amazona mais badass da história a dar um salto olímpico:

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Tudo isto é de torcer o nariz quando pensamos nos produtos de marketing lançados anteriormente. Por exemplo, o primeiro trailer para Batman v Superman entendia um tom mais filosófico e intrincado do que os que se seguiram. Carregava consigo a (tentativa de uma) exploração profunda entre dois tipos muito diferentes de superheróis, equiparando o kryptonian de capa vermelha a um deus alienígena, que a humanidade não sabe se existe para a proteger ou destruir. É um poço temático complexo e interessante. Fosse este o foco do filme, adivinhar-se-ia um épico ao nível de O Cavaleiro das Trevas (2008), ao aproveitar-se de ação de banda desenhada brutal para explorar temas contemporâneos de guerra e fé.

Filmes deste tipo são o veículo perfeito para educar as massas, e esse primeiro trailer deixou-me confiante que Snyder tinha crescido ao ponto de se aperceber disso (*). Claro que então veio o segundo, aquela aberração que de repente nos mostrou um filme de 2 horas e meia em 3 minutos. Aposto que muito boa gente foi despedida por esse erro, visto que o marketing de Batman v Superman se devia centrar no confronto entre estes dois titãs, já que isso bastaria para vender todos os bilhetes, e mais alguns. Enfiar todo o segundo e terceiro acto narrativo na publicidade? Só deixou um sabor acre na língua dos mais interessados.

(*) A equipa de realização muitas vezes (quase sempre) não tem nada que ver com a equipa de marketing e os subsequentes produtos que esta lança para empolgar uma potencial audiência. O poder da edição de trailers é imenso, portanto todo o tipo de discussão que se cria em antecipação do filme acaba por ser sempre especulação barata. No entanto, não acho que seja menos pertinente por isso.

De qualquer maneira, este último trailer parece definir o que aí vem, e é o suficiente para voltar a cativar o público amargurado por demasiada informação, demasiado cedo. Se alguém ainda não estava convencido com o Batman de Affleck, bem que pode enxugar as gotas de preocupação, porque o filme é dele.

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