Comic Con 2015 | Uma Casa Portuguesa, Com Certeza!

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Para quem cresceu a esconder o seu amor por Star Wars, ou a encolher os ombros envergonhado sempre que lhe perguntavam se gostava de jogar jogos de computador, a Comic Con é o paraíso encarnado.

Harley Quinns e Kylo Rens desfilam em todos os cantos da Exponor, com martelos e sabres de luz ao ombro, prontos a posar para qualquer câmara fotográfica em vista. Raparigas vestem-se de Doctor Who, rapazes colocam o mini vestido da Sailor Júpiter e ninguém pisca os olhos duas vezes porque esse é o espírito da maior convenção pop do país – a paixão partilhada (e sem julgamento) pelos nossos heróis ficcionais.

O advento da internet anulou a distinção entre o geek e o ser humano comum, aglomerando os apaixonados de cinema, BD e gaming num termo suficientemente abrangente para deixar de significar algo mais prejudicial. No nosso cubículo individualmente coletivo da internet, sentimo-nos em casa. No entanto, nós somos um animal gregário, e um animal gregário precisa mais do que as conversas por texto do Facebook, precisa mais do que a interação verbal do Skype. Precisamos de apertar mãos, sorrir lado a lado, e partilhar o nosso amor por algo em pessoa.

Este passado fim-de-semana, a casa escolhida foi a Comic Con Portugal, em Matosinhos. Milhares de jovens e adultos percorreram quilómetros e quilómetros da Exponor durante horas a fio. Folhearam livros, BDs, assistiram às aterrorizantes marchas da Quinta Legião, posaram junto a um X-Wing em tamanho real, entraram no DeLorean de Marty McFly e encheram sacos e sacos de mini-figuras coleccionáveis, bandas-desenhadas, arte personalizada entre tantas outras coisas.

Em vez de esconder o meu amor por Star Wars, pude-me sentar no meio de outros fãs a ver a trilogia original em glorioso 5.1 no stand da Fnac. Conheci o carinhoso e dedicado John Noble, e pude finalmente apertar mãos com o meu ídolo de adolescência Filipe Faria (autor das Crónicas de Allarya, o epítome da minha paixão jovem por fantasia medieval). Muito feliz fui eu naquele momento; até tive direito a um pack de cartas raras respetivas às personagens da saga!

Um obrigado enorme à fantástica Cat pelas fotografias.

Podem-se queixar do tamanho das filas (que ainda é um problema, embora incrivelmente reduzido quando comparado ao desastre do ano passado), os flagrantes (e exorbitantes) cash-grabs das sessões de autógrafos, mas a verdade é que não há nenhum outro evento em Portugal que proporciona este tipo de entretenimento.

E apesar da dimensão da cultura norte-americana nesta Comic Con portuguesa, não há como contornar o espírito lusitano que enche o espaço da convenção. Ainda que desprovido de qualquer carácter oficial, o Capitão Falcão percorreu os auditórios da Exponor com determinado patriotismo e, por mais averso que possa ser ao homem, Leonel Vieira discursou eloquentemente sobre O Leão da Estrela (no qual “homenageia” o original de 1947).

Mas o que mais me aqueceu o coração foi a vibrante Artists’ Alley. Um pouco deslocada da ação principal, é certo, mas estrategicamente posicionada para impressionar os transeuntes à entrada e à saída do evento. Não consegui conversar com o talentoso Manuel Morgado (cujos prints do Star Wars me escaparam, infelizmente), mas era impossível não ficar com um sorriso de orelha a orelha ao observar a arte terrífica daqueles artistas lusos. 40 magníficas bancas repletas de ideias, cor, e criatividade.

Absorvemos todos os dias a cultura pop do outro lado consumista do oceano (sem esquecer a excentricidade bizarra da cultura anime japonesa), mas apesar disso, a Comic Con Portugal conseguiu preencher o núcleo da convenção com uma identidade indiscutivelmente portuguesa. E embora ainda haja um extenso caminho a percorrer até Portugal em si oferecer ídolos cujas mãos milhares queiram apertar, por enquanto vamo-nos satisfazendo com os encantos de senhores como John Noble.

2015 foi fantástico. Até para o ano.

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