Z For Zachariah e o Amor no Apocalipse

Que sortuda aquela Margot Robbie, hã? A última mulher à face da terra, presa no fim do mundo com dois dos mais bem parecidos e bem-dispostos atores de Hollywood. Chiwetel Ejiofor de um lado, Chris Pine do outro, pining fortemente por ela, como diriam os ingleses.

Um apocalipse romântico, por assim dizer.

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Por acaso é intrigante o foco que os mais recentes filmes pós-apocalítpticos têm no caos e destruição consequentes ao término da vida na terra, ou na ação desenfreada que lhe segue. Normalmente contra bichos mutantes, aliens invasores, zombies, ou mesmo o próprio Homem, besta selvagem que é.

Estamos mais habituados a lidar com cérebros a voar do que com as incontornáveis emoções que surgem após a destruição maciça da humanidade. Para as massas, torna-se muito mais simples (e, talvez, gratificante) assistir a ainda mais morte e desgraça do que à reconstrução civilizacional, ainda que faça mais sentido de um ponto de vista gregário.

Ora, surpresa das surpresas, esta temática é o pontapé de saída para Z for Zachariah. Situado cronologicamente após o dito fim do mundo, o filme segue Ann (Robbie), uma filha de agricultores que sobreviveu ao apocalipse graças às montanhas à volta da sua casa, autênticas paredes naturais contra a disseminação da radiação que aniquilou a maior parte da espécie humana. O início da história é perfeitamente comedido nos visuais, estabelecendo a atmosfera soturna mas colorida daquela nova América. Há bastante silêncio, mas os sons da natureza destacam-se no ambiente desolado que nos é mostrado. Os primeiros minutos são uma apresentação simples e eficaz àquele mundo e personagens.

Então surge Mr. Loomis (Ejiofor), e durante meia hora assistimos a um desenrolar típico e pouco envolvente do romance entre o recém-chegado cientista e Ann, desesperada por companhia humana após um ano a sobreviver sem ninguém com quem falar. As beats narrativas são todas familiares, e o diálogo surge deficiente após o silêncio inicial, falhando em desenvolver as personagens da mesma forma que os visuais o fizeram anteriormente.

Assim, a primeira metade do filme perde o espetador sem propriamente aprofundar o enredo. Era algo que se corrigia com mais uma ou duas revisões ao argumento; isto é, economizar as cenas e aproveitar melhor a energia magnética que Caleb (Pine) traz à conversa.

Porque quando Pine entra em cena, é muito complicado descolar do ecrã. A química entre Ejiofor e Robbie é limitada (penso ser essa a intenção), e a presença desconcertante de Pine acrescenta uma muito necessária tensão às circunstâncias. É pena é durar tão pouco, e o subtexto sexual não passar de um esqueleto superficial sem meias palavras para aquilo que quer dizer.

De facto, a narrativa acaba por se tornar banal mesmo com a introdução deste triângulo romântico quase religioso. O início da civilização é arruinado (ou não) pela inveja do homem – ser masculino inveterado -, tudo de uma maneira previsível e pouco envolvente que acaba por não significar nada no fim.

Z for Zachariah é um filme bonito, com um trio habilidoso de protagonistas que mereciam uma história melhor do que aquela que lhes foi dada. Serve para neutralizar o sabor amargo de outras histórias pós-apocalípticas mais genéricas, mas falha ao agarrar a audiência com algo mais do que mera competência.

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