Nunca vi Regresso ao Futuro – Parte II

Quando liguei o Facebook pela primeira vez hoje, fui inundando por dezenas de posts a celebrar a chegada do futuro (ou o regresso dele, pelo menos). DeLoreans em catadupa a rasgar os céus da minha principal feed de notícias, ou queixumes de pobres coitados a resmungar a ausência de hoverboards neste badalado ano de 2015; um sem número de discussões entusiasmadas que não consegui entender.

Então cocei os olhos remelosos, bocejei bem alto e liguei a Netflix. Logo a primeira recomendação: Regresso ao Futuro – Parte II. Franzi o sobrolho. Afinal, o que havia de tão especial para o universo se lembrar hoje em particular de um amado clássico dos anos 80? Só me recordava de ter visto o primeiro, e de ter gostado bastante de toda aquela schadenfreude temporal. Nada que estabelecesse o dia 21 de Outubro de 2015 como algo particular à trilogia.

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Que ignorante eu era. Justifico este lapso na minha cultura cinematográfica por não ter nascido nos anos 80, e pela minha infância ter passado mais por filmes da Pixar do que por comédias do Robert Zemeckis. Mesmo assim, não deixa de ser um lapso, corrigido agora graças às maravilhas legais da Netflix.

A adrenalina contagiante de Regresso ao Futuro – Parte II despertou-me imediatamente do cansado torpor pós-sono, pontapeando-me a fuça com patranhas científicas inexplicáveis e um inebriante sentido de humor. É um filme que não pára para respirar, que move o enredo a um ritmo desenfreado de forma impressionante.

Acho incrível como, em pleno 2015, o meu queixo ainda caiu surpreso com os efeitos especiais orquestrados por Zemeckis, desde as múltiplas instâncias de Marty McFly e Doc Brown às viagens aéreas do DeLorean pertencente à dupla de protagonistas. Nota-se um especial carinho pela composição visual em concordância com o uso dos efeitos especiais, algo que hoje parece escapar às mentes mais aptas para trabalhar com este tipo de ferramentas.

Continuo a preferir a simplicidade hilariante do primeiro filme, mas não consigo deixar de amar a tangente distópica que a Parte II de repente toma a meio da narrativa. Zemeckis separa a estrutura da história por linhas temporais distintas, sem nunca se delongar nelas, a medo de cansar o espetador com demasiada informação.

Assim, a primeira sequela de Regresso ao Futuro surpreende a cada momento que passa, escalando a energia de cena para cena com entusiasmo absorvente. Não tenho os nostálgicos óculos cor-de-rosa a toldar-me a vista, mas não é por isso que não deixo de celebrar este dia 21 de Outubro de 2015 com o resto do mundo.

Bem vindo ao futuro, Marty McFly!

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2 responses to “Nunca vi Regresso ao Futuro – Parte II

  1. Yeah! Bem-vindo ao mundo do Regresso ao Futuro! Concordo que o primeiro filme é o melhor. Talvez por ser mais clássico. Aquela nostalgia de regressar ao passado e conhecer os pais quando tinham a nossa idade… é engraçado. O segundo já puxa mais pelos efeitos especiais, como referiste, mas compensa pelas voltas e reviravoltas no argumento e nos espaços temporais. O terceiro já foca mais a relação entre o Marty e o Doc. Tem menos impacto, mas termina em bem, é uma das minhas trilogias preferidas. BTW: Sei que não tem nada a ver, mas reviver estes clássicos deixou-me nostálgica e fez-me recordar os filmes com argumentos fantásticos e efeitos especiais credíveis sem recurso a robots gigantes e cenas especiais como o “Querida, Encolhi os Miúdos”.

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    • Engraçado dizeres isso, porque vi precisamente ontem o Pacific Rim do Del Toro, e sente-se uma diferença brutal entre a nostalgia adulta em relação à trilogia BTF e a vontade infantil de ver robôs a espancar aliens gigantes. Mas ainda tenho que ver o terceiro da trilogia! Entusiasmado para isso.

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