Star Wars: A Força Desperta – 5 Observações

Não há como escapar ao novo trailer de The Force Awakens. A feed do Facebook é submersa em notícias repetidas e análises exaustivas, praticamente frame a frame do novo vídeo promocional, e rara é a pessoa que não tenha visto pelo menos uma vez o trailer, nem que por mera curiosidade.

Vejam lá, que o peso incomensurável na pop culture ocidental de Star Wars crashou os servidores das principais bilheteiras nos Estados Unidas e na Inglaterra. Estamos todos ansiosos pelo derradeiro dia da estreia, sôfregos pelo mais ínfimo resquício de informação, pelo que é virtualmente impossível não dar em louco quando nos depositam um novo trailer no colo (um gajo até se esquece que se formou hoje um governo de esquerda.).

Durante as conversas de hoje que surgiram vários tópicos de discussão em volta dos dois minutos e meio de novas imagens, pequenos e grandes detalhes que interessam tanto ao maior geek de Star Wars como ao casual espetador em busca da informação que o misterioso trailer não faculta.

Aqui ficam cinco observações que têm deixado a internet maluca.

1. Quem é o Kylo Ren?

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Um capacete absolutamente badass, um sabre de luz sinistro (ainda que pouco pragmático), e uma estatura intimidante constituíam, até agora, tudo o que sabíamos acerca de Kylo Ren, o vilão deste primeiro filme na nova trilogia.

No entanto, com este último trailer, aprendemos que este aprendiz de Sith (ou será?) tem uma afinidade especial para com o defunto Darth Vader, falando com o seu cauterizado capacete como quem reza a Deus através de uma cruz. O pedestal em que a máscara de Vader se encontra tem um ar religioso, como se o misticismo dos Sith fosse agora adorado por uma nova geração de force wielders.

Mas será que Kylo Ren não passa de um zealota fanático dos Sith? Ou terá o vilão um laço familiar com o mítico Anakin Skywalker?

2. O novo lightspeed

Epá, não. Tenho a certeza que estes efeitos manhosos vão parecer mais convincentes num qualquer cinema IMAX 3D, mas aqui deixam-me com um travo amargo na língua. O lighstpeed da trilogia original ainda hoje parece verosímil ao mundo gasto de Star Wars, aproveitando a magia do cinema (a.k.a. os cortes) para sugerir a velocidade da nave, em vez de a mostrar sem reticências.

Pelo contrário, esta aberração digital mais se parece com vómito azul do que com a Millenium Falcon a deslocar-se à velocidade da luz. Aliás, é a cara chapada daquilo que um sôfrego adolescente imaginaria do lightspeed, mas não do que deveria chegar ao ecrã. Até porque desde 1977 que o efeito passou de moda; porque não inovar, senhor J.J.?

3. Onde está o Luke Skywalker?

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Está ali. Ali, a tocar no R2-D2. De quem mais pode ser aquela mão mecânica, pertencente ao mesmo membro decepado em O Império Contra-Ataca? Há outras personagens que o conteúdo promocional do novo Star Wars tem deixado no escuro, como a pirata de Lupita Nyong’o, ou Líder Supremo Snoke de Andy Serkis, mas nenhuma omissão causa mais comichão do que a de Luke Skywalker.

Afinal de contas, Luke é o herói original. Foi com ele que tudo começou, que gerações atrás de gerações de rapazes e raparigas se converteram ao mundo cósmico da Guerra das Estrelas. Portanto é óbvio o porquê de J. J. Abrams esconder a sua aparência 30 anos passados, e nos obrigar a alapar o rabiosque na sala de cinema para a descobrir.

4. #BoycottStarWarsVII é nojento

Estamos em pleno ano de 2015 e ainda há quem provoque controvérsia em relação a atores de cor, ou a protagonistas femininas. 2015! Um ano que tem sido tão, mas tão bom para a representação no grande ecrã, e ainda há quem não respeite vozes diversas no enorme oceano artístico que é a sétima arte.

Estes palermas privilegiados sentem-se oprimidos pela cor de John Boyega, e pela vagina de Daisy Ridley, mas porquê? O que têm a perder, num mundo em que papeis de cor são whitewashed até à exaustão, e a maioria dos cineastas ainda suporta uma pila no meio das pernas? Não foi há tanto tempo assim que a internet levantou uma tempestade de merda por causa de um homem preto vestir a armadura de um Stormtrooper, teimosia que perdura ainda agora. Opiniões em diarreia de um ânus ignorante.

O que vale é que há mais gente a usar a hash para calar o “boicote” do que propriamente quem o orquestrou em primeiro lugar. Haja fé.

5. A narrativa visual

O novo trailer diz tanto, com tão pouco. Comparado a qualquer outro vídeo promocional, este segundo impacto com The Force Awakens carece em diálogos e pistas narrativas mais comuns, tendo em primazia a maneira como os imagens nos veiculam o ambiente do filme.

A sério, reparem como, em pouco mais de dois minutos, entendemos o espírito de camaradagem entre Finn e Poe Dameron, ou a relação de mentor/pupilo entre Han Solo e Rey. Simples expressões faciais, gestos e truques de composição servem para demonstrar, sem esforço, o tipo de histórias que a maior parte dos trailers transpira para alcançar. São imagens impossíveis de separar da narrativa, contando-nos, sem palavras, um antes e um depois fragmentado, que os nossos cérebros, viciados que são em histórias, teimam em querer preencher.

Gosto imenso deste estilo quase contemplativo. A maioria dos blockbusters insistem em nos sobrecarregar com trailers que berram “OLHA SÓ PARA ESTAS EXPLOSÕES PARA ESTES CARROS PARA ESTAS GAJAS BOAS COMPRA JÁ OS BILHETES JÁ”, sem qualquer respeito pela inteligência da audiência. Force Awakens não – mostra apenas o suficiente para nos despertar a atenção salivante por mais. O mistério conta.

Não se esqueçam que já podem reservar os vossos bilhetes para a estreia de 17 de Dezembro! Até lá, estarei como o Jonah Hill em Get Him to the Greek

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