Fear the Walking Dead – Impressões Finais

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O meu maior problema com esta primeira temporada de Fear the Walking Dead reside na pressa com que anteciparam a chegada do apocalipse. Talvez estivesse com expectativas erradas, mas a noção vigente era a de que esta spin-off existia para relatar em detalhe o “início do fim” do mundo de The Walking Dead. Isto é, assistir ao colapso da humanidade, à razia das infraestruturas económicas e militares, ao término das entidades governamentais; enfim, viver através do ecrã uma nova experiência apocalíptica.

Mas o que nos deram foi um par de episódios com uma mão cheia de zombies a passear pelas estradas, outro com umas sequências de motins inspiradas (e originais), para depois saltarem umas semanas com o apocalipse já instaurado. Em meia dúzia de horas retornámos às ruas desertas, ao drama familiar de “o Homem é o verdadeiro inimigo”, e a um bando de mal-ajustados a vaguear sem rumo os states.

Quer dizer, para isso vejo só The Walking Dead: afinal de contas já sigo aquelas personagens há cinco anos, e o grupo de protagonistas é muito mais interessante que a dupla de famílias Manawa/Clark. Não há ninguém tão irritante como a Lori, mas Nick e principalmente o filho de Travis são piores que Carl quando o puto não sabia ainda representar. Não há nenhum Darryl, e apesar da Maddie ser tão ou mais cativante que Rick, não consegue carregar o peso da narrativa nos seus ombros. Nem todos podem ter o magnetismo da Kim Dickens, mas podiam pelo menos fingir que tentam.

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O PORREIRO:

  • Strand é a personagem standout desta temporada. De fatinho arranjado, barba aparada, com uma voz digna dos melhores trailers de Hollywood e uma atitude 0 fucks given, Strand prende de imediato a atenção do espetador. Não magoa o facto do seu egocentrismo inveterado o afastar da maior parte dos conas entalados que constituem o grupo principal. Colman Domingo, o ator, transmite uma certa ambiguidade relativamente à sanidade (ou falta dela) de Strand, e a sua filosofia particular coloca-o em conflito natural com o resto do elenco. Esperemos que não morra tão cedo, como acontece a literalmente todas as personagens de cor no mundo de The Walking Dead.
  • Os confrontos contra zombies têm sido poucos e diminutos em escala, algo que até tem permitido uma maior tensão durante as cenas em que eles realmente aparecem. Mas neste último episódio temos finalmente um clímax brutal de ação zombie, com milhares de corpos apodrecidos a atacar o hospital militar. A sequência na cozinha, em particular, parece algo saído da brilhante mente de George A. Romero. Espera-se ver mais do género na próxima temporada.
  • Um barco chamado Abigail? Não sei como é que eles tencionam fazer um programa de zombies com as personagens a navegar sãs e salvas em alto mar, mas lá que é diferente, é. Ainda que roubado do final de Dawn of the Dead, este desenvolvimento promete, no mínimo, um começo de temporada mais original que a típica montagem ensemble de The Walking Dead.

O MENOS PORREIRO:

  • É desmotivante o quão depressa as personagens da série recorrem a ações estupidamente desesperadas, ou desesperadamente estúpidas. Então vão abrir um estádio com milhares de zombies lá dentro? Foi uma atitude muito pouco inteligente, até porque não tinham quaisquer garantias que iam conseguir abandonar o hospital sem aquilo ficar a transbordar de canibais mortos-vivos. Já agora, como é que surgiram tão depressa sem ninguém reparar neles? A horda era gigante e comprida, seria de esperar que algum dos militares em vigilância tivesse uns binóculos.
  • O instante em que Travis espanca o Corporal Andy tem a cadência de um grande momento catártico, não só porque define a sua transição de pacifista para patriarca no-bullshit, mas porque normalmente sovas violentas tendem a despoletar as emoções mais primais em nós. Porém, a situação que levou ao espancamento foi de tal modo fabricada que acabou por cair em falso. Em que mundo é que o Andy ficaria meia hora à espera para se “vingar” de Daniel, em vez de fugir pela sua vida? E de todos os momentos propícios a surgir do nada escolhe aquele que é mais “dramático”? Simulação amadora, argumento amador.
  • A inclusão de personagens adolescentes numa série de TV com um um público mais adulto é sempre uma situação complicada. Os criadores não estão preocupados em aprofundar o seu suplício etário, apesar de todos já termos passado por ele; incluem apenas homens e mulheres no seu pico hormonal porque introduzem resmas de conflito instantâneo a qualquer história, mesmo que isso seja extremamente chato e desinteressante para a audiência. Até agora, os teens de Fear the Walking Dead não são mais que bombas de tensão ambulantes à espera de irritar nos momentos mais aborrecidos.

E é isto. Para o ano há 15 episódios; até lá a AMC vai lançar uma série web sobre o apocalipse zombie num avião. Leram bem. Zombies on a plane, motherfucker

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