Heroes Reborn – Primeiras Impressões

67876967A última coisa que uma pessoa quer quando olha para as suas escolhas passadas, é sentir remorso. Noah Bennett (Jack Coleman) rumina sobre este tema durante o debut de Heroes Reborn. Será a sua explícita voice-over um comentário meta-textual de como os erros passados da equipa de Tim Kring pesam sobre a série? Ou será simplesmente uma tirada filosófica de uma personagem com queda para elas?

Agradar ao público com uma primeira temporada nunca é tarefa simples. Introduzir personagens do zero, plots que podem correr muito mal, e até ter que estabelecer um tom e uma temática recorrente passa por um árduo trabalho que muita gente prefere evitar, resignada que está ao canto habitual de séries de longa data.

Por um lado, Heroes Reborn cai na facilidade de já possuir um elenco sólido de personagens recorrentes (como Noah Bennett ou Mohinder Suresh), assim como um mundo previamente estabelecido. Por outro, é obrigada a repisar terreno esbatido em enredos prévios de modo a chegar a uma nova audiência, sem se esquecer de atrair os espetadores mais cínicos, azedos que estão com a qualidade terrível das últimas temporadas de Heroes.

É uma linha ténue que facilmente pode dar para o torto, mas estamos tentativamente positivos. A energia jovial está lá, e as novas personagens são o suficientemente intrigantes para as acompanhar de semana a semana. Mas vamos lá ver: o que correu bem, e o que correu menos bem?

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O PORREIRO:

  • Miko! A rapariga japonesa é o verdadeiro MVP deste episódio de estreia, graças não só ao ambiente vibrante de cores néon em Tóquio, mas também ao seu superpoder altamente original. Miko transforma-se numa personagem do que parece ser um MMORPG, e a animação 3D destas porções do enredo é bastante envolvente, apesar de consistirem na sua maior parte em combates de estilo Matrix. E será aquela a katana do Hiro? Ah pá, é entusiasmante pensar no que vai sair dali.
  • Noah continua a ser a âncora emocional da série, e com boa razão. Coleman é mesmo bom no papel, encontrando o humor nas entrelinhas sisudas de Noah sem qualquer esforço. O ex-agente da Primatech descobre que sofre de uma amnésia auto-induzida (em parte, pelo menos, já que foi O Haitiano a causá-la), e que Claire, sua filha, morreu em circunstâncias suspeitas. Emparelhá-lo com Quentin dá aso a comédia buddy-cop que combina na perfeição com o tom misterioso do plot.
  • Zachary Levi e Judo Shekoni como Luke e Joanne Collins têm a potencialidade para se tornarem muito, muito interessantes no futuro, apesar da sua introdução mais ou menos apressada. Os dois são pintados como vilões, cujo ímpeto sanguinário contra os evos foi despoletado pelo assassínio do seu filho. Tal serve para ofuscar a divisão amoral do seu frenesim homicida, tornando-a menos binária e mais polivalente. Serão eles vilões autênticos, ou cairão mais tarde para o anti-heroísmo? Ou será Luke, o menos violento dos dois, forçado a virar-se contra a sua esposa?

O MENOS PORREIRO:

  • Mas que puta de confusão com as linhas temporais. Primeiro episódio e já a cometer este erro? Tsk, tsk. Começar com flashbacks de 9 meses antes, 6 semanas antes, 3 semanas antes, apenas para dar numa de flashforward para 1 ano depois, é absoluta treta. Introduzir assim as personagens, ou alguns dos seus superpoderes, é extremamente ineficiente, porque garantidamente que nenhum espetador se vai lembrar dos acontecimentos passado um minuto. Poupa na complexidade desnecessária, Kring.
  • Há partes em que o episódio parece ter sido escrito no ano ultrapassado de 2006: bullies de liceu a empurrar nerds contra cacifos; passagens secretas que são abertas ao ativar livros escondidos numa estante. Clichés narrativos que desde então entraram em desuso, mas que são empregados sem desculpa por Heroes Reborn.
  • A série cai no erro de recorrer demasiado a coincidências forçadas que não funcionam organicamente. Personagens surgem no momento exato em que um segredo é revelado; Noah e Luke cruzam-se e descruzam-se por meros segundos sem se ver; O Haitiano lembra-se de dar o par de óculos a Noah antes de o tentar matar (?). Um ou dois acasos fortuitos até se comia, mas uma série deles custa mais a digerir.

E é isto. Talvez seja engraçado acompanhar semanalmente a série em estilo de review, já que os episódios estreiam atempadamente no canal Syfy. O que dizem? E o que acharam deste duplo-episódio? 

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