RECAP de Heroes – Parte II

A terceira temporada de Heroes foi dividida em dois volumes intitulados VillainsFugitives. Tal deveu-se à já referida greve de guionistas em 2007, que obrigou os argumentistas de Heroes a reestruturarem as suas ideias para um terceiro ano mais robusto. Ora, em vez de continuarem com as decisões sólidas de Generations, Tim Kring e a sua equipa decidiram correr na direção oposta.

Villains já ameaçava um rumo incoerente, pelo que o desenrolar atabalhoado de acontecimentos que se seguiu não foi grande surpresa. Kring & co. arruinou o desenvolvimento de personagens chave, preservou outras para além da sua data de validade, e confundiu tensão dramática com uma completa ausência de humor.

Heroes tornara-se numa série frustrante, com linhas temporais confusas e narrativas desconexas. Até os fãs desistiram: de 10 milhões desceram para 6 milhões. O que correu tão mal?

VOLUME 4: FUGITIVES

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Após a dissolução d’A Companhia, o nosso conjunto de heróis tenta – NOVAMENTE – levar uma vida ordinária. Então, Nathan Petrelli decide delatar a sua existência ao presidente dos Estados Unidos. Assustado com esta informação, o presidente cria outra organização para apreender e controlar os seres humanos com poderes. Peter, Claire, Tracy e outros são capturados sem grande espetáculo.

A repetição de plots não passou despercebida a ninguém, e o facto de os argumentistas nem o tentarem esconder só piorou a situação. Os nossos heróis acabam por escapar das garras da nova task force, tornando-se nos titulares fugitivos. Encontram Parkman e Hiro. Juntos, combatem os agentes governamentais numa série de encontros violentos e desprovidos de interesse ou resolução certa.

Sylar aparece, tal deus ex machina, causando novamente o caos como só ele sabe fazer. As coisas desenrolam-se de uma maneira semelhante à primeira temporada, embora sem a catarse emocional desta. Peter e Nathan combatem Sylar de novo, e Nathan morre, OUTRA VEZ. Só que não, porque Angela Petrelli, com a telepatia de Parkman e d’O Haitiano, forçam Sylar a transformar-se em Nathan e a achar que é Nathan.

É aqui que Kring vai à casa de banho e não puxa o autoclismo.

VOLUME 5: REDEMPTION

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Em Redemption, um grupo carnavalesco de super vilões surge para causar o pânico. Liderados por Samuel Sullivan (Robert Knepper), estes constituem o agregado de novas personagens mais interessantes que Heroes já teve. Apesar de arquétipos, têm habilidades suficientemente interessantes para se tornarem ameaças credíveis ao conjunto quase invencível de protagonistas que se construiu ao longo das temporadas.

O problema é que voltam a separá-los, como se a sua história conjunta os impelisse anualmente para cantos opostos do mundo. Parkman vive destacado do resto, com Sylar preso na sua mente. A capacidade de teletransporte de Hiro está a matá-lo aos poucos por alguma razão, e o asiático é embrenhado num plot romântico sem peso nenhum para o enredo principal.

A verdade é que Knepper como o vilão funciona em todos os aspetos: o ator devora cenário sempre que entra em cena, e tira o máximo proveito da sua posição privilegiada como antagonista autêntico de banda desenhada. Samuel é uma figura trágica; imagina o grupo carnavalesco como sendo um paraíso para superhumanos, mas a sua sede por poder arruína os seus ideais benignos.

De certo modo, esta parte da trama avança o plot com alguma inspiração. Sylar (após libertar-se do corpo de Nathan) até aprende a ser um herói, ajudando Peter a derrotar Samuel durante o seu confronto final. As personagens alcançam finalmente uma espécie de progressão, e na derradeira cena, Claire atira-se de uma roda gigante. Parte-se toda em frente a uma câmara que filma em direto para a televisão. Então, levanta-se, regenerada, e expõe por fim a existência de pessoas com habilidades ao mundo.

Embora este último volume tenha, ahem, redimido alguns aspetos do que arruinou Heroes como série, acabou por não atingir os níveis de qualidade das primeiras duas temporadas.

The end.

HEROES REBORN

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Mas não! Tim Kring volta com mais Heroes, na tentativa de se redimir pelas temporadas fracassadas que precederam esta estreia de Heroes Reborn.

Passaram-se cinco anos desde que a humanidade foi exposta aos evos, e entretanto uma certa animosidade cresceu entre os dois grupos, tal como num qualquer comic dos X-Men. De facto, a semelhança é tal, que quando um ataque terrorista aniquila uma série de pessoas no Texas, todos os evos são culpados pelo acto. Por entre este equilíbrio frágil (em que as pessoas precisam de heróis, mas também temem do que são capazes) encontramos caras conhecidas como Noah Bennet e Hiro Nakamura, envelhecidos. Este conjunto de veteranos guia a nova colheita de heróis, de modo a impedir um conflito violento entre humanos e evos.

Algumas das novas personagens que conhecemos em Heroes Reborn:

  • Tommy (Robbie Kay) é um adolescente desajeitado, com problemas em se aproximar do amor da sua vida Emily (Gatlin Green). Para piorar a situação, descobre ter a capacidade de teletransportar-se.
  • Erica (Rya Kihlstedt) é a chefe de um bem sucedido conglomerado tecnológico chamado Renautas. Usa a sua posição para fins mais ou menos nefastos.
  • Malina (Danika Yarosh) é uma adolescente delicada, que apesar de corajosa, sempre foi muito protegida durante a infância.
  • Em Tóquio, Miko (Kiko Sukezane) procura o seu pai desaparecido, desconhecendo ter habilidades supernaturais que a tornam extremamente perigosa.
  • Luke e Joanne Collins (Zachary Levi e Judu Shekoni) perderam o seu filho no atentado terrorista, e partem em busca de vingança, assassinando todos os evos que encontram.
  • Carlos (Ryan Guzman) é um ex-militar que volta a casa sem se identificar com o rótulo de herói que lhe é atribuído. Ao longo da série, emergirá como um tipo bastante diferente de herói do que espera.

Nem todas estas personagens parecem propriamente intrigantes, com a excepção de Miko a destacar-se graças ao ambiente positivamente alienígena de Tóquio e da cultura geek que representa. Apesar de encontrarmos os nossos heróis num sítio bastante familiar (em fuga de xenófobos em pânico), espero que a equipa criativa tenha aprendido com os erros anteriores, e volte às origens entusiasmantes e absorventes de Heroes.

Heroes Reborn estreia no Syfy Portugal hoje às 22h10.

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