RESULTADOS EMMYS 2015 – O Ano de Game of Thrones

A maior surpresa este ano foi a rapidez com que a cerimónia concluiu. O emcee Andy Samberg – sempre divertido, embora com um espírito juvenil que escapou a muitos dos presentes – acelerou com proeza todo o processo de números musicais, de humor e da titular entrega de prémios. Até a banda o acompanhou com renovada energia!

Mas bem, esta 67ª edição anual dos Emmys acabou por dar umas voltas interessantes (*), tanto quanto à expectativa geral, como às previsões que nós fomos fazendo por aqui. Tal deveu-se certamente às alterações behind the scenes no que toca à ética de voto dos respetivos eleitores: a opção de expandir o núcleo de votos para mais membros da Academia.

(*) Podem encontrar a lista completa de vencedores aqui.

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É incrível como esta simples mudança alterou o perene rumo conservador dos Emmys. A cerimónia testemunhou em primeira mão a enorme influência da cultura pop nos dias que correm, face às opções mais seguras de voto.

Mastodontes de audiências como Game of Thrones levaram mais de 40 prémios consigo (**), deixando para trás escolhas porventura mais acertadas como Mad Men para melhor série dramática, ou Jonathan Banks em melhor ator secundário, que perdeu para o Tyrion de Peter Dinklage. A vitória de Dinklage é mais simbólica da popularidade de Game of Thrones do que propriamente do seu desempenho na corrente temporada: apesar de sólido, o ator empalideceu quando comparado aos anos precedentes.

(**) 43, para ser mais preciso. A HBO torna-se, assim, no segundo canal a arrecadar mais estatuetas num único ano, a seguir à CBS de 1974. Nessa altura a competição dos canais por cabo não era muita, e a difusora televisiva americana tinha pérolas como M*A*S*H All in the Family na manga. A verdade é que a concentração de programas de qualidade na HBO é muito maior que nos restantes canais, não só pela buzz global à volta das suas séries, mas também pelo espólio de artistas conceituados que para elas contribuem. 

Por outro lado, a popularidade de programas como How to Get Away With Murder permitiram uma maior visibilidade à performance impecável de Viola Davis, que venceu o galardão de melhor atriz em drama. Davis falou de como é impossível pessoas de cor vencerem prémios comos os Emmys se não lhes são oferecidos papéis capazes de tal proeza; comoveu como a contraparte étnica ao discurso feminista de Patricia Arquette nos Oscars.

No fim, acertámos apenas três das nossas sete previsões. Fora o desrespeito gritante por Steven Soderbergh na realização e de Gordon Smith no argumento, a 67ª edição dos Emmys constituiu uma lufada de ar fresco para o conjunto de vencedores, assim como um pequeno mas importante passo em frente para a maior diversidade no pequeno ecrã.

Espera-se que assim continue, tanto para a Academia progredir com a mudança dos tempos, como para nós, espetadores, crescermos com ela de forma inteligente e educada. E tragam o Samberg de volta!

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