Gotham para quê, quando se tem os X-Men

É oficial: a Fox está em conversas com a Marvel para trazer uma série live-action de X-Men ao pequeno ecrã. Este foi um excelente ano para superheróis e os seus contrapartes televisivos: The Flash singrou na sua primeira temporada, catapultando o universo da DC para audiências que o seu primo Arrow não tinha sonhado (e com indiscutível maior qualidade), pelo que não é de estranhar que a Fox queira entrar no jogo (*).

Outro ponto assente é que a série pertencerá ao universo cinemático dos nossos amigos mutantes, não o relativo ao Capitão América e seus compinchas coloridos. Pode ser algo óbvio, mas o assunto é mais complicado do que parece: a Marvel é dona dos direitos de TV para estas personagens, mas não pode fazer nada com elas pois interfere com o seu uso nos filmes da Fox.

Portanto, ambos os lados têm que estar de acordo para que a série se concretize.

(*) Sim, Gotham passa nos canais da companhia americana mas é produzida pela Warner Bros., que tem os direitos de todas as propriedades da DC Comics. Ou seja, as decisões tomadas a nível criativo não passam pela Fox, assim como grande parte do lucro, visto que apenas gerem o lado da distribuição.

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E já que o mais recente filme da Fox falhou redondamente em todos os aspectos, é normal a procura por um franchise fresco, ou, neste caso, pela expansão de um altamente bem sucedido. A aposta em filmes como Deadpool (cujo trailer tem tido boa recepção por parte do público) e Gambit (que está destinado a falhar) asseguram a vontade da Fox continuar a trabalhar com estas personagens e, acima de tudo, de manter os seus direitos.

Há quem diga que o formato de banda-desenhada se entregue melhor à narrativa serializada de TV, e o recente sucesso de grandes produções como Daredevil dão algum crédito a tais afirmações. Com o esgotamento associado a tentpoles de superheróis a instalar-se no público em massa, a criação de cada vez mais séries de televisão está no horizonte, assim como o crescimento dos custos e lucros associados.

Até porque, em boa verdade, os X-Men pertencem à televisão. A família de mutantes é um autêntico peixe fora de água em filmes de 120 minutos, que mal permitem um desenvolvimento pleno da sua dinâmica disfuncional. Em 15 anos de filmes, apenas dois não se centraram no confronto entre Magneto e Xavier. O fascínio por este confronto nuclear é partilhado pelos quadradinhos originais, mas não é o único, nem talvez o mais empolgante.

Storm, Wolverine, Rogue e todos os outros estão no seu melhor quando as suas relações interpessoais são exploradas e empregadas de forma dramática, tanto para colorir os inevitáveis combates como para enfatizar as situações de maior tensão. Neste aspecto as suas narrativas funcionam mais como uma novela supernatural, que martela o texto de coesão familiar de forma pouco subtil, ainda que eficaz.

Pensem comigo: a série live-action pode ir buscar ao canon existente de comics personagens e situações que, realisticamente, nunca chegariam às telas de cinema. Equipas como os X-Factor ou os Exiles podem finalmente ser adaptados, assim como mutantes menos conhecidos (Cable! Eva Bell!) mas igualmente interessantes. As suas habilidades podem ser facilmente traduzidas para um orçamento de televisão, e o potencial de crossover com o universo cinemático é infinito.

Estou entusiasmado com este desenvolvimento, pelo que espero que a Marvel conceda o OK à Fox para nos trazer mais alegorias sociais disfarçadas de empreitadas superheróicas ao pequeno ecrã. Até podem ter cameos do Hugh Jackman como Wolverine, estou-me a marimbar. Mas, por favor, façam acontecer.

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