5 Filmes de Terror Nojentos

Esqueçam as comuns casas assombradas, ou os vilões masculinos de prontas facas na mão que sabem aniquilar metade do elenco antes do filme acabar. Esqueçam os fantasmas, ou os monstros low-budget que nunca são aterradores o suficiente para te arrebatar do sofá. Esta lista também os tem, mas prima pelas vísceras oscilantes de uma barriga esventrada, ou pelos pormenores viscosos de uma qualquer cabeça rachada a meio.

O género de body-horror é um que é normalmente atirado para o canto de culto dos filme de terror, mas assim que o descobrem não vão querer outra coisa. A não ser que sejam de estômago fraco, propício aos enjoos sem tomates de um qualquer eunuco.

Estes são cinco filmes nojentos para vos tirar a fome e a vontade de viver no geral.

1. Audition – Takashi Miike (1999)

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Não consegui jantar após ver esta longa-metragem danada. Fui enganado pela hora e meia de comédia-romântica que precede os trinta minutos finais do filme, e o meu estômago é que pagou por isso. Assim como a minha sanidade mental, que nunca mais foi a mesma.

A história é sobre um viúvo que cria uma sessão de casting fictícia para encontrar a sua mulher perfeita. O processo é lento e aborrecido, mas quando finalmente conhece uma rapariga jovem e bem-parecida que serve todos os seus misóginos propósitos, o seu mundo colapsa com o peso dos segredos nefastos que ela esconde.

Audition é metódico na sua caracterização de personagens, alargando as cenas durante minutos a fio para que a audiência possa realmente compreender a psicologia das personagens, as suas ações e desvarios, mas nunca se preza por esclarecer tudo ao espetador. A conclusão é violenta e revoltante, uma masterclass de terror que impressiona pela sua simplicidade.

Em bom inglês, uma elegante mindfuck para ver e rever.

2. Evil Dead II – Sam Raimi (1987)

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Evil Dead! O filme de terror que não o é, mas sim? Acho que uma pessoa ri-se mais com as aventuras e desaventuras de Ash Williams (um nunca-melhor Bruce Campbell) do que com o pseudo-terror do filme, mas não podemos deixar de apreciar os baldes de sangue e quilos de efeitos práticos dispensados para o tornar o mais repugnante possível.

Em boa verdade, os efeitos de velha guarda são o que mais me atrai a Evil Dead II, livre dos facilitismos que o CGI trouxe junto com as maravilhas do digital. Sam Raimi, o realizador, é um dos pioneiros deste tipo de mescla da comédia com o terror, concedendo uma vida muito própria às gags visuais de mãos decepadas e motosserras homicidas.

slap-stick dos atores é impecável, a atmosfera vibrante e o trabalho de câmara inigualável. Aconselho esta segunda entrada porque serve, de certo modo, como um remake do primeiro filme, que acabou por ser eclipsado por esta obra-prima de terror. Extremamente divertido e grotesco; uma trip altamente-estilizada pela mente pervertida de Sam Raimi.

3. Prince of Darkness – John Carpenter (1987)

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Este é um dos filmes mais antigos e menos apreciados de John Carpenter. Podia considerar a inclusão de obras como Halloween (1978), ou The Thing (1982) nesta lista, mas Prince of Darkness tem uma sugestão do surreal tão off-beat e particular que se entrega à sensibilidade aterrorizante de Carpenter para criar uma atmosfera bastante peculiar.

Apesar da flagrante ausência de tensão emocional, de personagens marcantes ou de uma narrativa memorável, o filme tem alguns momentos bastante evocativos, a maior parte deles acerca de discussões sobre teologia envoltos em imagens surreais e apartes satânicos. Carpenter choca com corpos em decomposição e insetos nojentos que teimam em preencher os enquadramentos, que aliados à trilha sonora de synth e ao tratamento de cor esverdeado tornam a empreitada quase insuportável.

E ainda tem algumas coisas interessantes para dizer, ao criar um paralelo com a nossa reflexão no espelho e o Diabo, como se a psique humana fosse intrinsecamente corrupta e malévola. Em suma, um filme sobre os impulsos mais negros da humanidade, e a dicotomia entre a ciência e a religião.

4. Starry Eyes – Kevin Kolsch & Dennis Widmyer (2014)

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A protagonista de Starry Eyes é Sarah, uma jovem e optimista atriz que descobre as sinistras origens da elite de Hollywood e entra num acordo mortal em troca de fama e fortuna.

A sinopse pode parecer a de qualquer outro filme de terror com correntes satânicas e subtexto crítico à cultura de celebridades da utopia de Los Angeles, mas Starry Eyes é um dos melhores filmes de body-horror a sair nos últimos anos. Sarah, para singrar como atriz, tem que se vender a Hollywood de corpo e alma, nomeadamente de corpo, e o processo lento e brutal com que o faz traz um dos clímax mais sangrentos e nauseantes de sempre.

Inspirada nas soundtracks dos anos 80, a trilha sonora do filme alimenta o terror psicológico sofrido pela personagem principal, ao mesmo tempo que cobre o espetador com uma atmosfera invulgar e arrepiante. Tem os seus defeitos, como o desenrolar dolorosamente lento da narrativa, mas o final é tão potente quanto brutal, e a metáfora comemorativa dos corpos perfeitos de Hollywood é sublime.

5. Videodrome – David Cronenberg (1983)

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Muitos dos primeiros filmes de David Cronenberg eram caracterizados pelo gritante body-horror e pela atmosfera perturbante e demente. Como Carpenter, tem uma extensa filmografia com vários filmes que podiam ser incluídos nesta lista – desde Shivers (1975) a The Fly (1986), mas Videodrome é o que ainda hoje me arrepia com as suas sequências surreais.

Max Renn (James Woods) é um imoral dono de um canal de televisão por cabo, constantemente à procura de conteúdo extremo, como pornografia hardcore e violência brutal. Nesta busca por programação corrupta, encontra uma emissão pirata de uma série de tortura hyper-violenta, chamada Videodrome. Max fica arrebatado pelo programa e sente-se incapaz de o parar de ver, ao mesmo tempo que o seu corpo começa a torcer-se em nojentas mudanças e a sua mente se torna cada vez mais instável.

Este filme de terror é uma das obras mais intelectualmente exigentes de Cronenberg, carregando no seu núcleo uma incisiva crítica ao poder cativante da televisão no nosso dia-a-dia. O comentário social foi, e ainda é, controverso: está provado que a televisão condiciona o nosso comportamento, como saber se estamos, ou não, a ser mentalmente manipulados? E se o sabemos, porque não o combatemos? Será que queremos sequer?

Cronenberg coloca estas questões com a sua veia particular de humor negro, de cenas sexuais explícitas e gore.

(1) A lista está por ordem alfabética 😉

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