TV & Cinema – o Universo Cinemático

Foi já há sete anos que os estúdios de cinema da Marvel lançaram o primeiro filme no seu cada vez maior universo cinemático (*): Homem de Ferro (2008) realizado por Jon Favreau, com o então infame Robert Downey Jr. a protagonizar a personagem principal. A aventura podia ter ficado por aí: um único blockbuster baseado numa propriedade mais ou menos conhecida da banda desenhada; mas esse não era o plano dos Estúdios Marvel. No mesmo ano lançariam um reboot do Hulk, e dois anos depois uma sequela de Homem de Ferro. 

O sucesso crítico e na box office continuou, de tal modo que em 2011 foram lançados mais dois filmes: Thor (2011) e Capitão América (2011). Ora, para os mais atentos era óbvio o passo seguinte: um mega-filme com todas as personagens dos títulos lançados nos anos anteriores, isto é, Os Vingadores (2012). Esse blockbuster viria então a  tornar-se o terceiro filme mais bem sucedido financeiramente de sempre, com 1.5 biliões de dólares no seu bolso.

(*) O foco deste capítulo na nossa análise do cinema contemporâneo americano. Podem encontrar os restantes artigos aqui.

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Não é que por volta de 2012 um franchise cinematográfico com mais de duas ou três sequelas não fosse comum: a saga Harry Potter havia terminado no ano anterior com 8 filmes no total, e a série de filmes Crepúsculo acabaria nesse ano com 5. Prequelas para títulos bem reconhecidos como O Senhor dos Anéis (2001, 2002, 2003) ou Star Wars são ainda hoje comercializadas: a trilogia O Hobbit acabou em Dezembro passado, e este ano teremos a continuação da saga espacial, no que se espera constituir pelo menos duas novas trilogias, ambas a partilhar o mesmo universo.

Esta é uma das razões porque se considera que a serialização de histórias no grande ecrã seja algo muito mais aceite pelo público geral, apreciado e até aclamado. Desde a comercialização do cinema (principalmente no ocidente) que o foco tem recaído na capitalização de filmes através da criação de sequelas, mas nunca a febre esteve tão alta: agora tudo o que os estúdios querem é um universo partilhado de filmes. Isto é, mais do que um franchise, querem um mega-franchise que envolva uma quantidade enorme de obras fílmicas bem sucedidas financeiramente.

Refiro isto porque a Marvel só atingiu o sucesso, o verdadeiro sucesso de mais de um bilião de dólares, com o quinto filme na sua incursão cinemática. Desde aí, todos têm quebrado recordes de bilheteira, tanto as sequelas para filmes já bem estabelecidos como o Homem de Ferro, assim como novas propriedades intelectuais (ex. Guardiões da Galáxia (2014), que até à data tem o recorde de mais vendas no seu fim-de-semana de estreia).

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Muitos dos filmes que se seguiram têm a peculiaridade de serem realizados por cineastas mais conhecidos por trabalharem no meio televisivo, não no grande ecrã. Os Vingadores foi realizado por Joss Whedon, que até então era apenas conhecido por ter criado séries de culto como Buffy (1997-2003) e Firefly (2002). Em 2012, Whedon era um realizador sem provas de conseguir lidar com um blockbuster tão expansivo e visionário como o da Marvel, mas foi o seu sucesso que alcançou a tão desejada marca de um bilião de dólares.

Os estúdios Marvel aproveitaram a deixa e foram contratados outros responsáveis por séries televisivas, como os Irmãos Russo, e Alan Taylor. Aqueles famosos pelos seus episódios dinâmicos de séries de comédia como Arrested Development (2003-2006, 2013), este mais conhecido pelo seu trabalho em séries dramáticas como Mad Men (2007-2015).

O filme de Alan Taylor, Thor: O Mundo das Trevas (2013), facturou por volta de 650 milhões de dólares e teve boas críticas; o dos Irmãos Russo, Capitão América: O Soldado de Inverno (2014), facturou 714 milhões e teve uma recepção ainda mais calorosa, muitos críticos aplaudindo a sua temática complexa de crítica política face às aventuras mais leves que normalmente se associam aos filmes de superheróis.

É de ressalvar, portanto, que os filmes mais bem-sucedidos, tanto critica como comercialmente, foram dirigidos por cineastas que tiveram o seu começo no pequeno ecrã, e eram pouco ou nada célebres pelo seu sucesso em Hollywood. Tal coisa seria impensável há uns anos: contratar um realizador sem experiência para fazer um filme de 170 milhões de dólares de custos de produção? Simplesmente não aconteceria.

Então porquê este investimento em realizadores quase indie? Porquê a expansão para outros meios, como o televisivo, e a aposta de outros estúdios, como a Warner Bros. e a Universal, em universos cinemáticos? Estudaremos isso no próximo artigo.

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