Suicide Squad e os supervilões da street

É a Cara Delevingne! Enfiada entre dois matulões de cores uniformemente castanhas, mas é ela. Parece a Samara do The Ring, só que com um sentido de humor gótico. Mais: o Will Smith rapadinho e a Margot Robbie de mini-calções multi-coloridos! O que não há para amar nesta imagem?

David Ayer, o realizador de Suicide Squad (2016), achou por bem lançar a primeira imagem da equipa de vilões no Twitter, arrancando o comboio publicitário em força quase ano e meio antes do lançamento do filme. Por um lado é bom: deixa os fãs com um cheirinho do que aí vem, enfatizando os atores famosos que vão dar vida às personagens da banda desenhada. Por outro, dá ainda mais tempo aos detratores para persistirem com o seu negativismo inflexível, condenando o filme a um buraco negro muito antes do seu debut.

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Grande parte desta negatividade vem da má reputação que a Warner Bros./DC tem vindo a ganhar, graças à recepção pouco calorosa (tanto crítica como comercial) do seu primeiro filme, Homem de Aço (2013), e às escolhas pouco famosas de casting (Ben Affleck para Batman??). Sou um forte apologista de que a visão do Zack Snyder para o Super-Homem foi terrível assim como o filme em si, mas quanto ao casting? Mostrem-me o Batfleck em ação e depois conversamos.

Fora a opinião geral, considerem-me totalmente a favor de Suicide Squad. A fórmula da Marvel para os filmes dos Vingadores já começa a mostrar sinais de ferrugem: sabemos para o que vamos quando compramos o bilhete de Age of Ultron, mas que exuberância violenta e cínica vamos nós ter de um bando de supervilões a tentarem-se redimir através de atos mais ou menos benignos?

E que bando de supervilões. Ayer parece ter transposto o mundo mafioso clássico da banda desenhada para uma estética de criminosos de rua contemporâneos, o que vai mais ao encontro das suas sensibilidades visuais, como visto em End of Watch (2012) ou Fúria (2014). Os vilões são sujos (tanto que o Killer Croc parece pedra de cascalho), mas não são taciturnos, com um tom de austeridade inexorável como a do Super Homem de Snyder.

Este é, para mim, o ponto mais importante: a forma como Suicide Squad se vai distanciar dos restantes filmes da DC. Acho que o que o estúdio está a fazer no que toca à liberdade criativa concedida aos seus realizadores é uma excelente aposta. Por um lado distanciam-se do ar leve e eye candy uniforme aos filmes da Marvel, por outro possibilitam uma corrente infinita de estilos, tanto em género como em tom, nas entradas do seu Universo Cinemático.

Gosto que estas personagens simplesmente existam neste mundo, e gosto do seu ar apalermado e manifestamente rígido. Mal posso esperar por vê-los a todos a contracenar no grande ecrã, no meio de tiradas lunáticas da Harley Quinn e de comentários sarcásticos do Deadshot.

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