Crítica: Vingadores – A Era de Ultron

Hawkeye é o meu novo super-herói favorito. Não era algo que pensava dizer há uns dias atrás quando sofria de antecipação pela estreia do novo épico da Marvel, mas foi das primeiras coisas a sair-me da boca assim que abandonei a sessão de The Avengers: Age of Ultron. Após ser tratado de forma imerecida no primeiro filme, Jeremy Renner finalmente transforma Hawkeye naquilo que ele foi criado para ser: o coração da titular equipa. E a equipa precisa mesmo de um coração.

Sinto que devia fazer uma breve sinopse do filme, mas nesta altura do campeonato já ninguém quer saber. O que interessa é que os Vingadores estão mais uma vez em linha para salvarem o mundo de uma ameaça que lhes é, a primeiro, superior. Ultron é essa ameaça; um reflexo negro do seu ‘pai’, Tony Stark a.k.a Homem de Ferro. É o aspecto mais peculiar da longa-metragem: a forma como cria este paralelo não de uma forma propriamente subtil mas mesmo assim uma que não chama demasiada atenção para si mesma.

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Porque Ultron é, efetivamente, o que aconteceria a Tony Stark se o milionário playboy mais famoso do mundo acordasse do lado errado da cama, pisasse um lego a caminho da casa de banho, e decidisse que a humanidade devia ser erradicada por todos os crimes que já cometeu. E por criar legos. A linha ténue que separa estas duas personagens, pai e filho, é explorada por Joss Whedon com precisão e maturidade, criando uma temática contemporânea no que toca aos extremos que a sociedade toma para proteger a sua família/país/planeta. Stark cria uma inteligência artificial, Ultron ameaça a extinção da humanidade.

Guerras nucleares e relações internacionais são temas analisados ao longo do filme (não é por acaso que os Vingadores visitam África, Coreia do Sul e a Europa do Leste) mas, sejamos honestos, não é para isso que compramos o bilhete e encostamos as pipocas ao peito. Queremos ver o Thor a falar com os seus maneirismos arcaicos e a lançar trovões. Queremos ver o Capitão América a andar à turra com o Homem de Ferro. Queremos ver outro cameo do Stan Lee e o Hulk a nivelar cidades.

Também queremos ver a Black Widow a ser mais do que uma personagem secundária para os heróis masculinos do Universo Cinemático, e tal nunca esteve tão perto de acontecer. Ela é a maior proponente para o desenvolvimento mais interessante (ainda que arriscado e, sinceramente, apressado) do filme: o seu romance com o Hulk. É ela que tem as relações mais sinceras com todos os membros da equipa, e são as suas habilidades meramente humanas a salvar os supostos super-heróis das piores situações. Ela importa, e Joss Whedon não se esquece disso.

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As interacções entre as diferentes personagens nunca esteve melhor, e é algo que aprecio mais que o CGI imaculado, pois argumento tem uma exigência duplicada na forma como desenvolve estes super-heróis. Por um lado, tem que reconhecer todos os filmes individuais até agora (10!!) sem eliminar qualquer progressão emocional deles; por outro, tem que os manipular ao longo do filme e, por fim, tem que ser suficientemente aberto de modo a deixar os conflitos futuros como uma possibilidade irrefutável, não uma nota marginal mal pensada. Isto tudo sem esquecer o humor tão particular da Marvel e de Joss Whedon, que continua a trazer gargalhadas a uma sala abarrotada de cinema.

Posso afirmar com certeza que Age of Ultron não vai desiludir os fãs do franchise. O único defeito que lhe tenho a apontar é a sua duração: aos 140 minutos, torna-se exaustiva a viagem de cena de ação para cena de ação, estas cada vez mais extensas, bem coreografadas e destrutivas (*) que as anteriores. No entanto, não acho que o filme ganhava em ser mais curto; pelo contrário, apenas acho que o seu ritmo devia estar melhor construído. Tenho a certeza que vou apreciar ainda mais a director’s cut original com 3 horas e meia de Joss Whedon.

(*) O que me leva a perguntar se algum dia vamos ficar totalmente dessensibilizados à destruição de cidades em larga escala, e se vamos começar a clamar, como audiência, por batalhas mais interiores e claustrofóbicas do que as puras explosões blockbuster que nos são dadas.

Age of Ultron é tudo o que uma sequela devia ser. Não é melhor que o original porque já não tem o fator de singularidade que foi ver todos aqueles super-heróis no mesmo ecrã em 2012, mas baseia-se nas suas relações para nos dar algo mais emocional. Baseia-se no filme anterior para, acima de tudo, nos dar algo mais divertido.

E não há nada de errado com isso.

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