Brad Bird e The Incredibles (2004)

The Incredibles (2004) é um dos meus filmes favoritos. O factor nostalgia talvez entre demasiado em conta quando falo dele: só me lembro das tardes em que me sentava no sofá, colocava o DVD no trambolho cinzento por baixo da televisão, comando em mão, e me alapava sem preocupações a rever pela enésima vez o Sr. Incrível e a sua família a lutarem contra o mal. Ou, pelo menos, era isso que retirava do filme quando era mais novo. A verdade é que Brad Bird é um realizador maduro, inteligente, e a sua sensibilidade adulta no que toca aos superheroísmos de capa e licra conta com muito mais do que vencer o mal.

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Bob Parr e Helen Parr são dois super-heróis reformados, com três filhos, que vivem numa casa harmoniosa dos subúrbios. Bob possui super-força; Helen é a versão feminina do Homem Elástico; Dash é rápido demais para ser apanhado nas suas traquinices de criança; Violet tem a infelicidade de virar invisível sempre que fica mais nervosa; e o bebé, Jack-Jack, é ainda uma incógnita. Devido ao sossego rotineiro e aborrecido de uma família perfeitamente funcional, Bob decide quebrar o seu marasmo particular ao vestir o fato de super-herói uma última vez, o que traz repercussões para a sua vida familiar.

É nesta crise que o filme se distingue dos espetáculos visuais de filmes como X-Men (2000), ou Spider-Man (2002), tornando os conflitos mais pessoais e centrados nas personagens em si, do que na ação desvairada da luta entre o bem e o mal, apesar de haver suficientes cenas de pancada sobrenaturais para aprazer aos que as preferem. Bob está farto de reviver em conversas os seus feitos com o melhor amigo Frozone (Samuel L. Jackson), e as pernas alongadas de uma nova mulher, Mirage, simbolizam novas aventuras e uma chama de paixão que já não é acesa com Helen, ou pelo menos assim o acha.

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Bird balança comédia com drama familiar e palhaçadas de super-poderes como um malabarista profissional, cada bola a rodopiar no ar ao mesmo tempo que as outras são jogadas de mão em mão. As duas horas de filme passam a voar pois as cenas não se delongam mais que o necessário, construindo-se umas em cima das outras de modo que conferem à narrativa uma perpétua propulsão dianteira. O argumento é extremamente bem escrito, com as personagens bem delineadas e um diálogo que salta do ecrã. Mas é a animação, com já 11 anos, que realmente torna The Incredibles num clássico moderno.

O realizador americano, na sua primeira contribuição para os estúdios da Pixar, passa da animação 2D de O Gigante de Ferro para o 3D em voga com uma naturalidade invejável. O seu olho para enquadramentos sugestivos e épicos em escala continua tão bom ou melhor do que no seu filme anterior, tornando cascatas e vulcões em autênticos gigantes naturais e assustadores, assim como as máquinas robóticas do vilão Syndrome em aterrorizantes pesadelos. A palete de cores é igualmente vibrante e sumptuosa, um deleite para quem tem um apreço pela saturação energética característica das bandas desenhadas.

Este acaba por ser o filme com mais ação da Pixar, um autêntico blockbuster repleto de personagens intrigantes, um plot bem construído e uma energia criativa ímpar por parte do visionário Brad Bird, ainda mais divertido e cinético do que na sua primeira longa-metragem.

The Incredibles é um filme, simplesmente, incrível.

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