O que ver – Abril 2015

Hoje é um dia triste. Morreu Manoel de Oliveira, o seminal realizador português. Afirmar que os seus filmes me marcaram sobremodo seria hipocrisia da minha parte; a verdade é que dos (poucos) que vi tomei-lhes um ar de indiferença entendida que porventura até foi prejudicial à minha apreciação deles.

Respeito a sua obra, a sua longevidade e o facto de querer fazer mais e mais, muito mais. Mas o único filme que me influenciou bastante, face a Anikis Bóbós e raparigas louras foi o Douro, Faina Fluvial.

85686585

Lançado em 1931, na altura estavam na voga as sinfonias de cidade, das quais sou grande apreciador e um preponente do seu retorno, como Berlin: Symphony of a Great City de Walter Ruttmann, ou o incomparável Homem da Câmara de Filmar de Dziga Vertov. Ora, o primeiro filme de Manoel de Oliveira vem desta tradição de montagem de Eisenstein, numa veia documental muito particular aos anos 20 e 30 do século XX.

São uns rápidos vinte minutos passados na cidade do Porto: a câmara de Oliveira dança de forma energética pelo douro e pelas atividades comerciais do local, conjugando o esforço humano com o poderio das máquinas. Os paralelos são óbvios mas bem construídos, e a cinematografia fantástica tem das imagens mais belas da filmografia do centenário realizador. Só os primeiros minutos são uma masterclass em enquadramento e montagem.

Capitão Falcão

161616

Ainda na conversa de filmes portugueses, vai estrear a 23 de Abril (*) o próximo clássico do cinema português, Capitão Falcão. Gonçalo Waddington faz o papel do homónimo protagonista, cujo propósito é o espancamento de comunistas, Capitães de Abril e mulheres feministas. Colorido e com um acre sentido de humor, esta sátira está debaixo de olho há anos, sofrendo atrasos sob atrasos desde os seus inícios como série de televisão. Esperamos apenas ser loucamente entretidos pelos devaneios marciais por Portugal de ’68.

(*) Porque não 25? É a questão que vi ser colocada inúmeras vezes desde o anúncio da data de estreia. A óbvia resposta é que os filmes por cá estreiam às quintas-feiras e não a um sábado. A oficial, porém, toma um tom mais cómico.

A 23 de Abril, nos Cinemas NOS.

Daredevil

161616161

Vou ser brutalmente honesto: a única razão pela qual estou bastante entusiasmado para ver esta série é por a belíssima Deborah Ann Woll fazer parte dela. Saída de True Blood diretamente para esta nova aposta da Netflix, a atriz é uma revelação autêntica; o seu papel como a eterna vampira adolescente Jessica Hamby é o único aspecto redentor das últimas temporadas da dita série. Em Daredevil faz de Karen Page, opondo-se a Matt Murdock como os protagonistas da nova ficção no Universo Cinemático da Marvel.

Mais violento que S.H.I.E.L.D., mais complexo que Arrow e com melhores visuais que Gotham, Daredevil parece sobrepujar todas as séries de super-heróis que lhe antecederam, assim como o pãozinho sem sal de filme com o Ben Affleck de 2003. As críticas para já têm sido bastante positivas, pelo que resta esperar que compense o investimento de 13 horas.

A série vai ser lançada na íntegra na plataforma Netflix, a 10 de Abril.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s