Oscars 2015 – As nossas escolhas

Chega mais um ano e com ele mais uma cerimónia do prémio mais cobiçado da indústria americana de filmes. A edição de 2015 dos Oscars vai-se dar dia 22 de Fevereiro, sendo emitida cá em Portugal em simultâneo nos canais SIC e SIC Caras às 00:40. Neil Patrick Harris vai apresentar e esperemos que tenha a boa-disposição vencedora pela qual é conhecido nos Tony Awards, mas sem o número exagerado de momentos musicais.

A propósito de gerar alguma conversa vamos deixar as nossas previsões e opiniões em relação aos vencedores das categorias mais importantes (*) da 87ª cerimónia dos prémios da Academia.

(*) Não propriamente aquelas que consideramos mais importantes mas das quais vimos todos os filmes e nos sentimos confortáveis comentar sem ignorar qualquer obra ou performance que nos possa ter escapado.

Melhor Filme:

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  • brunoguerracunha –  A luta será entre Birdman e Boyhood. Ou pelo menos devia ser. Aos restantes nomeados falta qualquer coisa para atingir o patamar de Melhor Filme, sendo que nestes dois vejo o que melhor se fez este ano (dentro dos nomeados). No entanto, apesar de tudo, escolheria Boyhood. Este, é uma ponderada viagem pelo tempo em que o seu valor reside não só no que resplandece no ecrã, como em tudo aquilo em que nos faz pensar e avaliar na nossa vida. Caso vença, será o filme que menos custou a fazer a receber a estatueta.
  • JCSLVS – Temo que nesta categoria vá ganhar o Boyhood porque é um título indie intimista e a Academia por vezes gosta de premiar esse tipo de filmes, ainda por cima quando tem a buzz que a obra mais recente do Linklater tem, mas quem merece o galardão, para mim, é o Birdman. É um filme cujo todo é mais do que a soma das partes: as interações do telhado entre a personagem da Emma Stone e o Edward Norton podem, a primeiro, ser algo disconexas em que se perde a subjetividade da câmara P.O.V., mas ganha força temática quando associada à miríade de assuntos tratados no filme. A cinematografia é algo de aplaudir, o trabalho dos atores é exímio e a banda sonora original unicamente composta por percussão é quase surreal no dinamismo que confere às cenas. Birdman é o filme do ano.

Melhor Realização:

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  • brunoguerracunha – Aqui está uma categoria interessante. Wes Anderson é sempre incrível, Iñárritu roça a genialidade mas é Richard Linklater que faz o impossível. Dito isto, não há muito mais a falar. Foram 12 anos de conjugação de filmagens, gestão de actores, destreza e capacidade de organização.
  • JCSLVS – Sem dúvida que o Richard Linklater merece o Oscar pelo seu trabalho no Boyhood. Conjugar 12 anos de filmagens, por mais pequenos que possam ter sido os tempos de rodagem em cada um deles, não deve ter sido muito fácil a nível logístico para todos os aspectos da produção. 12 anos é muito tempo para um empreendimento fílmico e por mais que este tipo de narrativas já tenham sido exploradas em filmes como a trilogia Before, os filmes com Antoine Doinel do Truffaut ou os documentários UP do Michael Apted, Boyhood não deixa de ser um sucesso original. O tempo obrigou o realizador a escrever e a reescrever o guião, e ele próprio mudou ao longo dos anos (como não?) e é incrível a coerência que o filme acaba por ter. Daí ser a minha escolha.

Melhor Ator Principal:

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  • brunoguerracunha – Não percebo a ausência de Jake Gyllenhall, antes de tudo. Com isto em mente, Michael Keaton seria a minha escolha pela personificação de celebridade-decandente-em-busca-dos-15-minutos-de-fama. No entanto, não desconfio nada que seja Eddie Redmayne a levar o galardão para casa.
  • JCSLVS – Ainda choro não terem nomeado o Gyllenhaall, mas estou bem dividido entre o Michael Keaton e o Steve Carell. Acho que vou com este último. Carell transformou-se completamente para o papel de John du Pont. Após o acompanhar como ator de comédia durante anos e apesar dos papéis mais dramáticos que já protagonizou, vê-lo tão friamente assustador arrepiou-me até ao osso. É uma performance algo retraída: sem grandes movimentos ou explosões de emoção, nem com monólogos melodramáticos ou lágrimas de crocodilo. De nariz de ave de rapina e casaco de desporto, Steve Carell construiu uma personagem que me vai acompanhar durante anos.

Melhor Atriz Principal:

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  • brunoguerracunha – Ora aqui está uma categoria interessante. A luta vai ser renhida e todas elas são verdadeiras candidatas. Jullianne Moore já mereceu mais, Reese Whitherspoon surpreendeu, Rosamund Pike brilhou mas Marion Cottillard será sempre a melhor actriz. Se ter uma boa prestação é difícil, então duas ainda é mais. Dêem-no já à Marion!
  • JCSLVS – Haverá alguém mais merecedor do galardão que não a Rosamund Pike? Relativamente desconhecida ao público geral, sem grandes raízes em Hollywood como a Julianne Moore ou a Reese Witherspoon, ela arrasou em Gone GIrl. Crédito tem que ser dado à personagem criada pela escritora e argumentista Gillian Flynn, mas, no fim, Pike reclamou para ela a balls-to-the-wall psicopata Amy Dunne. Ainda não ultrapassei aquela cena que vai ter mais que uma piada durante a cerimónia visto que o apresentador é o Neil Patrick Harris.

Melhor Ator Secundário:

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  • brunoguerracunha – Dois lados da mesma moeda. Edward Norton em um, J.K. Simmons no outro. Dois papéis brilhantes, um na ousadia e tenacidade (Simmons), o outro na capacidade de diálogo e mestria (Norton).
  • JCSLVS – Só pode ser o J.K. Simmons. O Edward Norton fez um dos seus melhores papéis desde o Fight Club e o trabalho do Mark Ruffalo é incrivelmente bom em Foxcatcher, mas a energia caótica de Terrence Fletcher, com um vitupério bem construído sempre à espera de ser rosnado, é demasiado grande para ser ignorada.

Melhor Atriz Secundária:

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  • brunoguerracunha – Se na categoria de Melhor Actriz será uma luta interessante, aqui não. Se Patricia Arquette não levar consigo o Oscar, então desligarei a televisão.
  • JCSLVS – Nada a dizer, se não dar o Oscar à Patricia Arquette. Esta categoria peca pela falta de variedade (mais que as restantes) e a oferta desmedida de outra nomeação à Meryl Streep foi simplesmente abismal.

Melhor Argumento Original:

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  • brunoguerracunha – Ainda estou um pouco indeciso. Boyhood é incrível mas Nightcrawler foi demais. Dos meus favoritos do ano, o argumento de Dan Gilroy deixou-me a palpitar na cadeira do cinema ora com o que parecia uma aula de introdução do Empreendedorismo, ora uma aula avançada sobre Psicopatas.
  • JCSLVS – O realizador/argumentista Dan Gilroy deve-se sentir estranhamente orgulhoso com o seu primeiro filme. Por um lado é dos mais badalados do último ano, quase uma constante nas listas de fim de ano, mas teve mais nomeações que vitórias e mesmo estas passaram algo despercebidas. A verdade é que Nightcrawler tem o meu argumento favorito. Há um dogma pelo qual me rejo no que toca à escrita para filmes: a cena final tem que martelar o conceito do filme de tal forma que tudo faça sentido, mesmo que não o faça (olhando para ti, Mulholland Dr.) E o fim de Nightcrawler emprega essa força temática de uma forma que não notei em nenhum outro argumento este ano. O discurso final de Lou Bloom é perfeito na sua ironia cínica, sociopata. De repente todo o filme fica melhor por causa disso.

Melhor Argumento Adaptado:

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  • brunoguerracunha – Whiplash é bom mas nada demais. The Theory of Everything está constantemente a puxar a lágrima. The Imitation Game está recheado de lacunas e American Sniper é um argumento patriota que me leva sempre a pensar no tio Sam. Com isto, o que sobra, é da autoria do mago do cinema americano contemporâneo, Paul Thomas Anderson – Inherent Vice.
  • JCSLVS – Adaptar qualquer livro do Thomas Pynchon é visto como uma impossibilidade, daí só agora o terem feito e com alguém tão conceituado como Paul Thomas Anderon. Inherent Vice brilha pela forma labiríntica com que percorre a mindtrip narrativa, assim como os diálogos e interações fantásticas entre as personagens. Quem me dera ter disto todos os anos.

Vamos lá ver se os júris nos fazem as vontades.

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